A necessidade do Outro na nossa vida é algo realmente interessante. Precisamos da outra pessoa mas ao mesmo tempo precisamos dar conta de estar sozinhos, como sozinhos mas não solitários. Por isso, homens e mulheres existem em relações, pois é a condição da perpetuação da espécie. E, justamente por isso, é um assunto que rende muito.
Existe um filme novo nas locadoras que chama “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” (You will meet a tall dark stranger), uma crônica de Woody Allen sobre o amor. Na crônica, todos estão à procura da pessoa certa. Um casal que se separa pois o marido deseja curtir a juventude perdida e se une à uma garota de programa a quem decide oferecer conforto material como uma tentativa de fugir da solitude. Esposa abandonada, por sua vez, recorre à uma cartomante buscando respostas e previsões futuras sobre a sua vida. A filha do casal, sustentada pela mãe, vive um casamento infeliz no qual o marido, um escritor fracassado, não é seu companheiro como deveria ser e dá abertura para que ela se envolva com o chefe, que também é uma pessoa inacessível ao que ela precisa. O marido, escritor, por sua vez, se apaixona pela vizinha em quem encontra a parceira que gostaria de ter. Já no filme “Pecados Íntimos”, cujo nome real é “little children” que traduzindo significa, criancinhas, os casais também apresentam dificuldades no encontro das necessidades alheias, em que vivem casamentos protocolares e acabam encontrando em outra pessoa, aquela questão que buscavam para se sentirem bem na interação com o outro.
Sendo assim, qual a razão para que as relações sejam tão complicadas? Por que homens e mulheres não encontram no casamento com seus parceiros, o que encontram fora dele? No filme “Pecados Íntimos”, Brad está desempregado e não consegue ser aprovado no exame para ser advogado, quando conhece Sarah (Kate Winslet), que acredita nele como homem e o incentiva nos aspectos que ele considera ruins na sua vida. Um se interessa pelo outro pois se encontram nessa questão, o despertar do que justamente estava escondido na relação do casamento.
No livro “homens que odeiam suas mulheres e as mulheres que os amam”, a Dra. Susan Forward, coloca o seguinte: “muitas pessoas hoje em dia sentem-se confusas sobre o que esperar e como se comportar num relacionamento. Os homens preocupam-se em ser carinhosos e sensíveis sem perder a masculinidade”. Já para Robin Norwood em “mulheres que amam demais”, muitas mulheres entram em relacionamentos sem antes estabelecerem um relacionamento verdadeiro em primeiro lugar com elas próprias.
Talvez a maior dificuldade nas relações seja a falta de encontro entre os parceiros. Parceiros que são adultos, mas que na verdade, muitas vezes são crianças grandes brincando de casamento sem ter definido o objetivo de uma relação conjugal na qual deveriam ser capazes de construir amor, sexo e amizade. Relações em que os parceiros tivessem condições de estar sozinhos nos momentos propícios a isso, cada um com suas atividades, mas no encontro da relação a fim de não viverem solitários numa união conjugal. O convívio que estimula e fortifica a intimidade, aquela construída a base do que se precisa. Ter liberdade e espaço para serem individuais como pessoas, mas unidos como parceiros dessa caminhada tão rica que se chama relação conjugal
quinta-feira, 5 de maio de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
Manda quem pode...
A educação é uma das atividades necessárias ao desenvolvimento da espécie e assim, da construção do mundo, tendo um valor tão grande como questão fundamental à vida e que merece ser olhada e pensada da maneira mais criteriosa possível quando envolve os alunos, a equipe, escola, enfim todo universo que suporta essa função de educar. Educar não é um conto de fadas em que no final todos viverão felizes para sempre. Cada dia é um dia muito importante nessa construção e um tijolo colocado no lugar errado fará muita diferença.
Sendo assim, quem manda na educação? Para Humberto Gessinger , “toda forma de poder é uma forma de morrer por nada”. Que poder nós temos como educadores ao pensarmos a educação? Cabe dentro dessa questão tão nobre elevarmos tanto a nossa autoridade sem olharmos as reais necessidades dos nossos alunos? Qual o limite para nós, condutores dessa construção, ao nos depararmos com tanta carência afetiva e material? No livro “O pequeno príncipe”, Antoine de Saint-Exupéry faz a seguinte colocação: “É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis”.
Nós mandamos. Nós temos o poder de conduzir o rumo que queremos para o ano letivo de cada turma. É dado a cada membro da sociedade escolar esse poder. No entanto, deveríamos ter o grande poder de conduzir a construção da aprendizagem de uma forma sensata que respeite os limites dos nossos alunos, como do espaço de sala de aula e de toda a comunidade escolar envolvida. Mas, às vezes, esse poder passa do que é sensato e infelizmente, há o esquecimento da didática, da pedagogia, do juramento de comprometimento com a causa.
Um aluno, sua família, sua comunidade, enfim, todas as questões que o cercam e o formam como sujeito da educação, está presente na sala de aula e exerce com suas características uma influencia marcante em cada dia de interação. Por isso, o olhar dispensado a ele quando inserido na escola deveria ser aquele que situa o conjunto e o integra às possibilidades existentes à construção da sua aprendizagem; assim como, se existe dele a disposição para acompanhar o grupo.
Assumimos sim um compromisso. Atender a essa causa da educação tendo em vista suas necessidades e limites sabendo dos nossos próprios limites, sabendo dos limites das nossas atitudes. A realidade existe. Por vezes, há a construção de um planejamento tão rico e com uma expectativa positiva sobre a resposta da turma para seu desenvolvimento, e no entanto, a realidade que nos espera na hora da entrada é aquela que proporciona uma rápida reflexão do que se faz ali na frente de uma turma com uma história tão cruel de violência, abuso, fome, que ninguém em sua plena consciência gostaria de escutar. Mas é justamente aí que entra o nosso comprometimento. Pensar na realidade sem querer reformá-la a qualquer custo, ou passar por cima dos limites da realidade da comunidade escolar, por causa da nossa autoridade como pessoas mais esclarecidas. É nessa hora que entra a nossa razão como seres humanos. O que nos cabe fazer levando em consideração o nosso papel como educadores do mundo? Devemos escrever pelos nossos alunos ou ensina-los a escrever, auxiliando quando necessário, às vezes pegando em sua mão? Somos o exemplo, somos a autoridade que ensina e que exerce influencia. Somos atores num espetáculo em que a caminhada da vida, bem estruturada, é o objetivo e assim, a mensagem final.
Sendo assim, quem manda na educação? Para Humberto Gessinger , “toda forma de poder é uma forma de morrer por nada”. Que poder nós temos como educadores ao pensarmos a educação? Cabe dentro dessa questão tão nobre elevarmos tanto a nossa autoridade sem olharmos as reais necessidades dos nossos alunos? Qual o limite para nós, condutores dessa construção, ao nos depararmos com tanta carência afetiva e material? No livro “O pequeno príncipe”, Antoine de Saint-Exupéry faz a seguinte colocação: “É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis”.
Nós mandamos. Nós temos o poder de conduzir o rumo que queremos para o ano letivo de cada turma. É dado a cada membro da sociedade escolar esse poder. No entanto, deveríamos ter o grande poder de conduzir a construção da aprendizagem de uma forma sensata que respeite os limites dos nossos alunos, como do espaço de sala de aula e de toda a comunidade escolar envolvida. Mas, às vezes, esse poder passa do que é sensato e infelizmente, há o esquecimento da didática, da pedagogia, do juramento de comprometimento com a causa.
Um aluno, sua família, sua comunidade, enfim, todas as questões que o cercam e o formam como sujeito da educação, está presente na sala de aula e exerce com suas características uma influencia marcante em cada dia de interação. Por isso, o olhar dispensado a ele quando inserido na escola deveria ser aquele que situa o conjunto e o integra às possibilidades existentes à construção da sua aprendizagem; assim como, se existe dele a disposição para acompanhar o grupo.
Assumimos sim um compromisso. Atender a essa causa da educação tendo em vista suas necessidades e limites sabendo dos nossos próprios limites, sabendo dos limites das nossas atitudes. A realidade existe. Por vezes, há a construção de um planejamento tão rico e com uma expectativa positiva sobre a resposta da turma para seu desenvolvimento, e no entanto, a realidade que nos espera na hora da entrada é aquela que proporciona uma rápida reflexão do que se faz ali na frente de uma turma com uma história tão cruel de violência, abuso, fome, que ninguém em sua plena consciência gostaria de escutar. Mas é justamente aí que entra o nosso comprometimento. Pensar na realidade sem querer reformá-la a qualquer custo, ou passar por cima dos limites da realidade da comunidade escolar, por causa da nossa autoridade como pessoas mais esclarecidas. É nessa hora que entra a nossa razão como seres humanos. O que nos cabe fazer levando em consideração o nosso papel como educadores do mundo? Devemos escrever pelos nossos alunos ou ensina-los a escrever, auxiliando quando necessário, às vezes pegando em sua mão? Somos o exemplo, somos a autoridade que ensina e que exerce influencia. Somos atores num espetáculo em que a caminhada da vida, bem estruturada, é o objetivo e assim, a mensagem final.
terça-feira, 8 de março de 2011
VIVA! A nós, mulheres, educadoras.
(Gabriela P.B. Fernandes – educadora)
O Dia Internacional da Mulher é uma ótima oportunidade para lembrarmos do valor do trabalho que nós, professoras, educadoras do mundo, desenvolvemos diariamente no exercício da nossa profissão. É algo tão grandioso que, desde que feito com o real comprometimento assumido no juramento no dia da formatura do magistério, valeria o melhor salário que o sistema deveria pagar. Mas que na verdade, não há salário que pague o aprendizado adquirido com a interação num ambiente escolar.
Uma nova escola, uma nova turma, novos olhares, novas famílias, novas questões. É assim. Quando entramos em uma nova sala, o planejamento é sempre diferente, pois os alunos são outros, é uma realidade nova. Adaptamos nossa característica profissional às necessidades da nossa turma. É a nossa turma, aquela com a qual caminharemos por um ano letivo e pela qual temos o comprometimento com o conteúdo didático a ser construído. É a nossa turma, que se mostra aos poucos. São alunos. Meninos e meninas, crianças, adolescentes, adultos, cada um com sua questão, cada um com sua busca. Uns mais tranqüilos, outros mais ansiosos. Uns mais organizados, outros que, misteriosamente, sempre perdem o lápis e a borracha que você empresta. Mas a realidade de um ambiente escolar é muito flexível. Não existe a sala de aula perfeita, pois não existe a estrutura familiar perfeita. Há diferenças sim, cada comunidade tem sua característica. E uma boa educadora, é aquela que sabe se adaptar a essa condição.
A educadora, a unidade escolar e a comunidade só constroem uma educação de qualidade se caminharem juntas o caminho da educação. Um portão aberto que se fecha na hora certa colocando o limite que situa. Assim, há uma diferença muito grande entre a equipe pedagógica que, conhecendo a sua realidade social, recebe uma nova professora e coloca que um aluno precisa de limites e um posicionamento exigente, mas de afeto pois vive num mundo muito carente; e, aquela que diz que não se estabelece relação afetiva com aluno para que não haja perda de controle.
Ora, estar em uma escola, é olhar vários rostos e saber ver através dele. Entender que se o seu aluno tirou o sapato, ou melhor, a bota de plástico dentro de sala é, dando a chance dele se explicar, escutar que, estando sem meia, o pé estava queimando num dia mais quente; saber que uma touca que não pode ser tirada, pode estar escondendo uma infestação de bichos berne na cabeça de uma criança. Essa é a realidade da nossa educação. A realidade para qual uma educadora deveria estar muito bem preparada. Como construir a aprendizagem se a cabeça ou o pé queimam, se o estômago dói, se o cheiro de xixi na própria roupa é tão forte que incomoda os colegas e isso gera comentários? Fora o ambiente familiar, a estrutura fora da escola, a convivência em casa, o ambiente, enfim, a realidade desse aluno. É triste, pensarmos que planejamos todo nosso trabalho esperando resultados positivos mas que nos deparamos com obstáculos tão grotescos que nunca desejaríamos escutar. No entanto, a tristeza existe exatamente pelo desejo de que nossos alunos sejam muito mais do que aquilo que a realidade lhes impõe. E justamente aí entra o nosso valor como educadoras. O olhar feminino, aquele que acolhe com carinho, aquele que olha com afeto essas questões. O caminho que construímos com a caminhada. Essas pedras que retiramos e que passamos a conhecer, nas quais não podemos pisar. Um portão aberto a esses alunos, a suas mães e familiares.
Cada comunidade com sua característica. Uma que leva suas crianças à unidade alcoolizada e assim as sustenta em casa, para enganar a fome. Outras que mesmo carentes participam da unidade escolar por essa estar sempre com os portões abertos receptivos à ela. Outra que evade da escola por não receber o limite que situa nem a atenção que precisa para construir sua identidade como comunidade.
Sendo assim, qual é o nosso real juramento como educadoras? Devemos ter tantos limites afetivos no contato com nossos alunos ou nos abaixar a sua altura para olhar em seus olhos a fim de conhecer seu verdadeiro rosto?
Educar é uma tarefa nobre! Merecia, sim, ser a profissão mais valorizada. Merecia, sim, o melhor salário. Mas, merece muito mais do que isso. Merece as nossas mãos. Merece saber dizer a um aluno que existe uma troca satisfatória de aprendizado com o conhecimento que adquirimos com ele. Merece das nossas mãos os melhores gestos. Merece das mãos de quem tem o poder de um sistema, o melhor olhar. O olhar que enxerga a profissão e o local de trabalho como a base da estruturação social de um mundo. Existe um mundo tão vasto no universo escolar!
Dessa forma, sejamos educadoras com olhar! Com amor, com afeto, com limites e, acima de tudo, com compromisso ao que fazemos. Mulheres dotadas de emoção. Mulheres que são gente! Mulheres que dão à vida novas vidas e que com esse olhar saibam ver os filhos gerados por outras mulheres como nossos, assim como sabendo dos próprios limites, sejam capazes de exercer o que Jesus nos pediu: “amar ao próximo como a si mesmo”.
O Dia Internacional da Mulher é uma ótima oportunidade para lembrarmos do valor do trabalho que nós, professoras, educadoras do mundo, desenvolvemos diariamente no exercício da nossa profissão. É algo tão grandioso que, desde que feito com o real comprometimento assumido no juramento no dia da formatura do magistério, valeria o melhor salário que o sistema deveria pagar. Mas que na verdade, não há salário que pague o aprendizado adquirido com a interação num ambiente escolar.
Uma nova escola, uma nova turma, novos olhares, novas famílias, novas questões. É assim. Quando entramos em uma nova sala, o planejamento é sempre diferente, pois os alunos são outros, é uma realidade nova. Adaptamos nossa característica profissional às necessidades da nossa turma. É a nossa turma, aquela com a qual caminharemos por um ano letivo e pela qual temos o comprometimento com o conteúdo didático a ser construído. É a nossa turma, que se mostra aos poucos. São alunos. Meninos e meninas, crianças, adolescentes, adultos, cada um com sua questão, cada um com sua busca. Uns mais tranqüilos, outros mais ansiosos. Uns mais organizados, outros que, misteriosamente, sempre perdem o lápis e a borracha que você empresta. Mas a realidade de um ambiente escolar é muito flexível. Não existe a sala de aula perfeita, pois não existe a estrutura familiar perfeita. Há diferenças sim, cada comunidade tem sua característica. E uma boa educadora, é aquela que sabe se adaptar a essa condição.
A educadora, a unidade escolar e a comunidade só constroem uma educação de qualidade se caminharem juntas o caminho da educação. Um portão aberto que se fecha na hora certa colocando o limite que situa. Assim, há uma diferença muito grande entre a equipe pedagógica que, conhecendo a sua realidade social, recebe uma nova professora e coloca que um aluno precisa de limites e um posicionamento exigente, mas de afeto pois vive num mundo muito carente; e, aquela que diz que não se estabelece relação afetiva com aluno para que não haja perda de controle.
Ora, estar em uma escola, é olhar vários rostos e saber ver através dele. Entender que se o seu aluno tirou o sapato, ou melhor, a bota de plástico dentro de sala é, dando a chance dele se explicar, escutar que, estando sem meia, o pé estava queimando num dia mais quente; saber que uma touca que não pode ser tirada, pode estar escondendo uma infestação de bichos berne na cabeça de uma criança. Essa é a realidade da nossa educação. A realidade para qual uma educadora deveria estar muito bem preparada. Como construir a aprendizagem se a cabeça ou o pé queimam, se o estômago dói, se o cheiro de xixi na própria roupa é tão forte que incomoda os colegas e isso gera comentários? Fora o ambiente familiar, a estrutura fora da escola, a convivência em casa, o ambiente, enfim, a realidade desse aluno. É triste, pensarmos que planejamos todo nosso trabalho esperando resultados positivos mas que nos deparamos com obstáculos tão grotescos que nunca desejaríamos escutar. No entanto, a tristeza existe exatamente pelo desejo de que nossos alunos sejam muito mais do que aquilo que a realidade lhes impõe. E justamente aí entra o nosso valor como educadoras. O olhar feminino, aquele que acolhe com carinho, aquele que olha com afeto essas questões. O caminho que construímos com a caminhada. Essas pedras que retiramos e que passamos a conhecer, nas quais não podemos pisar. Um portão aberto a esses alunos, a suas mães e familiares.
Cada comunidade com sua característica. Uma que leva suas crianças à unidade alcoolizada e assim as sustenta em casa, para enganar a fome. Outras que mesmo carentes participam da unidade escolar por essa estar sempre com os portões abertos receptivos à ela. Outra que evade da escola por não receber o limite que situa nem a atenção que precisa para construir sua identidade como comunidade.
Sendo assim, qual é o nosso real juramento como educadoras? Devemos ter tantos limites afetivos no contato com nossos alunos ou nos abaixar a sua altura para olhar em seus olhos a fim de conhecer seu verdadeiro rosto?
Educar é uma tarefa nobre! Merecia, sim, ser a profissão mais valorizada. Merecia, sim, o melhor salário. Mas, merece muito mais do que isso. Merece as nossas mãos. Merece saber dizer a um aluno que existe uma troca satisfatória de aprendizado com o conhecimento que adquirimos com ele. Merece das nossas mãos os melhores gestos. Merece das mãos de quem tem o poder de um sistema, o melhor olhar. O olhar que enxerga a profissão e o local de trabalho como a base da estruturação social de um mundo. Existe um mundo tão vasto no universo escolar!
Dessa forma, sejamos educadoras com olhar! Com amor, com afeto, com limites e, acima de tudo, com compromisso ao que fazemos. Mulheres dotadas de emoção. Mulheres que são gente! Mulheres que dão à vida novas vidas e que com esse olhar saibam ver os filhos gerados por outras mulheres como nossos, assim como sabendo dos próprios limites, sejam capazes de exercer o que Jesus nos pediu: “amar ao próximo como a si mesmo”.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Viva! À Escola São Judas Tadeu.
Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
“Ora, é lógico... numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.” (Paulo Freire). Exatamente assim é a escola citada no título. É sobre a educação construída no bairro Mosela, pelos alunos e toda equipe que compõe essa unidade da rede pública de ensino, que as palavras tomarão sentido neste artigo.
A escola São Judas Tadeu é uma escola, como definiu a diretora, Mônica Chung, que estará sempre com as portas abertas à toda contribuição positiva que vier da comunidade. Não só da comunidade, mas de toda equipe. Além das disciplinas como português, matemática, ... , há o desenvolvimento de atividades como aula de xadrez e música, sala de leitura e biblioteca. Atividades que enriquecem e muito o desempenho dos alunos.
Essas atividades são oferecidas e desenvolvidas pelos profissionais formadores da escola que acreditam que transformam vidas e gerações. Transformam pois estimulam o organismo de um aluno como um todo. Transformam pois cada aluno tem suas características e essas atividades proporcionam o desenvolvimento de diferentes áreas do cérebro, assim como amplia o conhecimento dos alunos em relação à sua própria existência. Saber ler bem e assim construir bons textos, além de formar opiniões; desenvolver o gosto pela música, e até mesmo, decidir se gosta ou não de cantar e participar do coral; assim como o xadrez que proporciona a concentração, estimula o raciocínio. Tudo isso, transforma pois quando se entra na escola, é fácil perceber o comprometimento com a causa escolar e a responsabilidade com o que se prega.
Dessa forma, é essa escola. As portas abertas que nos convidam a entrar pois sabemos que lá dentro existe o que buscamos para construção de nossa própria existência, pois se mantém viva, a crença que há possibilidade de crescimento com a interação simplesmente por estar lá, por fazer parte do grupo, por interagir no meio escolar. “Sendo assim: educar-se na escola! Obter conhecimento na escola! Crescer na escola! Ser formado na verdadeira cidadania.”(Paulo Freire).
Por isso, no dia 21 de setembro deste ano, a escola deu início à mais uma atividade. Complementou seu compromisso com a educação, com aulas de reforço escolar gratuitas aos alunos. Neste ano, refiz à Mônica, uma oferta antiga de trabalhar voluntariamente com reforço escolar. Esse trabalho era desenvolvido na comunidade do Quarteirão Brasileiro, principalmente aos alunos da Escola Paroquial Nossa Senhora das Graças, no salão paroquial, cedido pela igreja. Havia uma parceria com as professoras e a escola para que houvesse a assistência aos alunos, inclusive com o fornecimento de datas, conteúdos e questões relacionadas à aprendizagem. No entanto, em fevereiro deste ano, a comunidade, alegando serem necessárias obras no salão, não permitiu mais as aulas. E, assim, perdeu um trabalho que acrescentava demais à construção da aprendizagem, pois o reforço escolar era feito através da fixação das disciplinas e de atividades lúdicas como jogos e passatempos.
Então, há quase 3 meses, iniciamos na Mosela, uma parceria com o trabalho voluntário de reforço escolar aos alunos. Essa atividade é desenvolvida no salão da igreja, até que, como disse a diretora, haja uma sala disponível só para essas aulas. Mesmo assim, há condições de atender aos alunos no espaço cedido. Quando essa idéia surgiu, a escola se organizou, a equipe pedagógica, através do contato com professores e responsáveis, formou os grupos para os dois turnos, com o apoio de outra professora, buscando atender aqueles que mais precisavam e dessa forma, em quatro dias de aulas por semana, a melhora na construção da aprendizagem pelos alunos assistidos, já foi percebida.
Não que não existam questões, que exigem mais atenção, como em outras escolas, mas quando se transmite limite, há confiança de que há preocupação. De que há um olhar que se importa, que quer ver um sorriso onde há tristeza, solidão, desamparo; onde há necessidades. Necessidades como de um dos alunos que chegou à aula de reforço com dificuldades em matemática e que transmitiu naquela primeira aula o quanto precisava apenas ser atendido. Apenas ter um olhar voltado a ele mesmo que por instantes em que uma hora é dividida por mais alunos também com dificuldades. E, então, nesses três meses, construindo a confiança que lhe é precisa para operar a tabuada e assim, o conhecimento necessário para efetuar as contas de matemáticas, já caminha sozinho, apesar de ainda tropeçar em algumas pedras do caminho, e em outras apenas para que lhe seja estendida a mão no afeto que precisa para se levantar com a segurança de que não existe solitário nesse mundo, mas existe sim, na sua particularidade como ser humano.
Dessa forma, cada dia é um dia de valiosa importância na vida de cada ser humano, principalmente, de nossos alunos. É com a consciência voltada na influencia mais que positiva exercida por todas as atividades desenvolvidas, que a Escola São Judas Tadeu existe e cresce cada vez mais pois se acredita parte integrante fundamental na construção da existência humana.
Sejamos sempre, assim, profissionais comprometidos com a causa da educação, mantendo abertas as portas pelas quais passam nossos alunos esperando ser recebidos pelo conhecimento que lhes influencia e dá sentido a si como ser vivo e humano, e parte integrante fundamental à vida.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 18/11/2010
“Ora, é lógico... numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.” (Paulo Freire). Exatamente assim é a escola citada no título. É sobre a educação construída no bairro Mosela, pelos alunos e toda equipe que compõe essa unidade da rede pública de ensino, que as palavras tomarão sentido neste artigo.
A escola São Judas Tadeu é uma escola, como definiu a diretora, Mônica Chung, que estará sempre com as portas abertas à toda contribuição positiva que vier da comunidade. Não só da comunidade, mas de toda equipe. Além das disciplinas como português, matemática, ... , há o desenvolvimento de atividades como aula de xadrez e música, sala de leitura e biblioteca. Atividades que enriquecem e muito o desempenho dos alunos.
Essas atividades são oferecidas e desenvolvidas pelos profissionais formadores da escola que acreditam que transformam vidas e gerações. Transformam pois estimulam o organismo de um aluno como um todo. Transformam pois cada aluno tem suas características e essas atividades proporcionam o desenvolvimento de diferentes áreas do cérebro, assim como amplia o conhecimento dos alunos em relação à sua própria existência. Saber ler bem e assim construir bons textos, além de formar opiniões; desenvolver o gosto pela música, e até mesmo, decidir se gosta ou não de cantar e participar do coral; assim como o xadrez que proporciona a concentração, estimula o raciocínio. Tudo isso, transforma pois quando se entra na escola, é fácil perceber o comprometimento com a causa escolar e a responsabilidade com o que se prega.
Dessa forma, é essa escola. As portas abertas que nos convidam a entrar pois sabemos que lá dentro existe o que buscamos para construção de nossa própria existência, pois se mantém viva, a crença que há possibilidade de crescimento com a interação simplesmente por estar lá, por fazer parte do grupo, por interagir no meio escolar. “Sendo assim: educar-se na escola! Obter conhecimento na escola! Crescer na escola! Ser formado na verdadeira cidadania.”(Paulo Freire).
Por isso, no dia 21 de setembro deste ano, a escola deu início à mais uma atividade. Complementou seu compromisso com a educação, com aulas de reforço escolar gratuitas aos alunos. Neste ano, refiz à Mônica, uma oferta antiga de trabalhar voluntariamente com reforço escolar. Esse trabalho era desenvolvido na comunidade do Quarteirão Brasileiro, principalmente aos alunos da Escola Paroquial Nossa Senhora das Graças, no salão paroquial, cedido pela igreja. Havia uma parceria com as professoras e a escola para que houvesse a assistência aos alunos, inclusive com o fornecimento de datas, conteúdos e questões relacionadas à aprendizagem. No entanto, em fevereiro deste ano, a comunidade, alegando serem necessárias obras no salão, não permitiu mais as aulas. E, assim, perdeu um trabalho que acrescentava demais à construção da aprendizagem, pois o reforço escolar era feito através da fixação das disciplinas e de atividades lúdicas como jogos e passatempos.
Então, há quase 3 meses, iniciamos na Mosela, uma parceria com o trabalho voluntário de reforço escolar aos alunos. Essa atividade é desenvolvida no salão da igreja, até que, como disse a diretora, haja uma sala disponível só para essas aulas. Mesmo assim, há condições de atender aos alunos no espaço cedido. Quando essa idéia surgiu, a escola se organizou, a equipe pedagógica, através do contato com professores e responsáveis, formou os grupos para os dois turnos, com o apoio de outra professora, buscando atender aqueles que mais precisavam e dessa forma, em quatro dias de aulas por semana, a melhora na construção da aprendizagem pelos alunos assistidos, já foi percebida.
Não que não existam questões, que exigem mais atenção, como em outras escolas, mas quando se transmite limite, há confiança de que há preocupação. De que há um olhar que se importa, que quer ver um sorriso onde há tristeza, solidão, desamparo; onde há necessidades. Necessidades como de um dos alunos que chegou à aula de reforço com dificuldades em matemática e que transmitiu naquela primeira aula o quanto precisava apenas ser atendido. Apenas ter um olhar voltado a ele mesmo que por instantes em que uma hora é dividida por mais alunos também com dificuldades. E, então, nesses três meses, construindo a confiança que lhe é precisa para operar a tabuada e assim, o conhecimento necessário para efetuar as contas de matemáticas, já caminha sozinho, apesar de ainda tropeçar em algumas pedras do caminho, e em outras apenas para que lhe seja estendida a mão no afeto que precisa para se levantar com a segurança de que não existe solitário nesse mundo, mas existe sim, na sua particularidade como ser humano.
Dessa forma, cada dia é um dia de valiosa importância na vida de cada ser humano, principalmente, de nossos alunos. É com a consciência voltada na influencia mais que positiva exercida por todas as atividades desenvolvidas, que a Escola São Judas Tadeu existe e cresce cada vez mais pois se acredita parte integrante fundamental na construção da existência humana.
Sejamos sempre, assim, profissionais comprometidos com a causa da educação, mantendo abertas as portas pelas quais passam nossos alunos esperando ser recebidos pelo conhecimento que lhes influencia e dá sentido a si como ser vivo e humano, e parte integrante fundamental à vida.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 18/11/2010
domingo, 17 de outubro de 2010
A política como circo
Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
As eleições vão ao encontro do que o povo escolhe. Escolhas que são de extrema importância para o futuro de uma nação e que refletem exatamente como o povo pensa e vê a causa pública. Justamente por isso é que elegeu o palhaço Tiririca para representá-lo. Infelizmente elege-lo pode significar exatamente como o povo vê a política no nosso país, talvez como um grande circo.
Um circo no qual o povo, como público, assiste aos espetáculos dos atores principais, os políticos, como uma verdadeira comédia em que não existe nenhuma verdade no que se faz. No entanto, esse grande espetáculo político, que acontece no nosso país, em nenhum momento foi representado por cidadãos vestidos como palhaço e usando nariz de palhaço. Por isso, eleger o candidato Tiririca talvez tenha sido a forma escolhida, pelo povo, para caracterizar verdadeiramente a política que acontece diante dos nossos olhos.
Essa política que muitas vezes nos aparece totalmente descomprometida com a causa pública. Os números que elegeram esse candidato, que pode ser cassado por ser analfabeto, refletem que, o povo, mesmo assistindo à sua propaganda eleitoral, em que ele foi questionado sobre o que faz um deputado e respondeu que quando chegasse lá, descobriria, pode ter acreditado nessa fala como uma verdadeira piada de palhaço num espetáculo do circo.
Sendo assim, quem está mais descomprometido com a causa pública? Um candidato, que para representar o povo, o faz como palhaço; o povo que não discerne sobre quem vai representa-lo, ou os políticos atuantes que representam o país e permitem os grandes espetáculos escandalosos com a imagem pública e, com isso, influenciam o povo a não acreditar mais na política como algo extremamente importante à construção da cidadania e assim, manutenção da vida?
Pensar na eleição, usando como exemplo o candidato citado acima, é ir ao encontro do que aconteceu aqui em Petrópolis, em que candidatos muitas vezes já eleitos em nossa cidade não tiveram votos satisfatórios, pois talvez já estejam fora do alcance do que o povo precisa. Isso nos leva ao questionamento sobre o que se faz com a causa pública. Qual a imagem que se quer formar? Para o filósofo Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Por isso, é pertinente a necessidade dessa representação pública, ser sim, verdadeira. Ir ao encontro do que o povo necessita. Quando um candidato se preocupa com a sua imagem no sentido de construí-la a fim de que transmita ao Outro, confiança de que será capaz de proporcionar uma interação que vai ao encontro das necessidades, está apto a si aprimorar muito no verdadeiro sentido da política.
Sendo assim, candidatos como Tiririca que precisam de personagens para dar vida à sua carreira pública e política no país, representando o povo, teriam uma interação melhor se usassem como tema principal de seu espetáculo, o que vai ao encontro do que o povo precisa, pois assim, tornariam o grande palco de circo em que se transformou, infelizmente, a política brasileira, num grande espetáculo.
Dessa forma, sejamos todos, políticos verdadeiros na representação da vida, a fim de que o espetáculo seja muito bem representado e aceito pela platéia que o assiste, pois tudo aquilo que é bem construído, com bases fortes e seguras, tende a estar firme no maior propósito que é a vida. Piadas são facilmente esquecidas pois num primeiro momento podem ir ao encontro de questões pertinentes ao cotidiano, no entanto, não se encontram com o que se precisa. O que se fixa no cérebro humano, é o conhecimento que desestrutura para estruturar o que precisa ser apreendido, como propôs Jean Piaget, assim como Vygotsky e todos outros com suas teorias sobre educação, principalmente ligadas à construção baseada na interação de quem aprende com o que se é aprendido.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis em 14.10.2010
As eleições vão ao encontro do que o povo escolhe. Escolhas que são de extrema importância para o futuro de uma nação e que refletem exatamente como o povo pensa e vê a causa pública. Justamente por isso é que elegeu o palhaço Tiririca para representá-lo. Infelizmente elege-lo pode significar exatamente como o povo vê a política no nosso país, talvez como um grande circo.
Um circo no qual o povo, como público, assiste aos espetáculos dos atores principais, os políticos, como uma verdadeira comédia em que não existe nenhuma verdade no que se faz. No entanto, esse grande espetáculo político, que acontece no nosso país, em nenhum momento foi representado por cidadãos vestidos como palhaço e usando nariz de palhaço. Por isso, eleger o candidato Tiririca talvez tenha sido a forma escolhida, pelo povo, para caracterizar verdadeiramente a política que acontece diante dos nossos olhos.
Essa política que muitas vezes nos aparece totalmente descomprometida com a causa pública. Os números que elegeram esse candidato, que pode ser cassado por ser analfabeto, refletem que, o povo, mesmo assistindo à sua propaganda eleitoral, em que ele foi questionado sobre o que faz um deputado e respondeu que quando chegasse lá, descobriria, pode ter acreditado nessa fala como uma verdadeira piada de palhaço num espetáculo do circo.
Sendo assim, quem está mais descomprometido com a causa pública? Um candidato, que para representar o povo, o faz como palhaço; o povo que não discerne sobre quem vai representa-lo, ou os políticos atuantes que representam o país e permitem os grandes espetáculos escandalosos com a imagem pública e, com isso, influenciam o povo a não acreditar mais na política como algo extremamente importante à construção da cidadania e assim, manutenção da vida?
Pensar na eleição, usando como exemplo o candidato citado acima, é ir ao encontro do que aconteceu aqui em Petrópolis, em que candidatos muitas vezes já eleitos em nossa cidade não tiveram votos satisfatórios, pois talvez já estejam fora do alcance do que o povo precisa. Isso nos leva ao questionamento sobre o que se faz com a causa pública. Qual a imagem que se quer formar? Para o filósofo Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Por isso, é pertinente a necessidade dessa representação pública, ser sim, verdadeira. Ir ao encontro do que o povo necessita. Quando um candidato se preocupa com a sua imagem no sentido de construí-la a fim de que transmita ao Outro, confiança de que será capaz de proporcionar uma interação que vai ao encontro das necessidades, está apto a si aprimorar muito no verdadeiro sentido da política.
Sendo assim, candidatos como Tiririca que precisam de personagens para dar vida à sua carreira pública e política no país, representando o povo, teriam uma interação melhor se usassem como tema principal de seu espetáculo, o que vai ao encontro do que o povo precisa, pois assim, tornariam o grande palco de circo em que se transformou, infelizmente, a política brasileira, num grande espetáculo.
Dessa forma, sejamos todos, políticos verdadeiros na representação da vida, a fim de que o espetáculo seja muito bem representado e aceito pela platéia que o assiste, pois tudo aquilo que é bem construído, com bases fortes e seguras, tende a estar firme no maior propósito que é a vida. Piadas são facilmente esquecidas pois num primeiro momento podem ir ao encontro de questões pertinentes ao cotidiano, no entanto, não se encontram com o que se precisa. O que se fixa no cérebro humano, é o conhecimento que desestrutura para estruturar o que precisa ser apreendido, como propôs Jean Piaget, assim como Vygotsky e todos outros com suas teorias sobre educação, principalmente ligadas à construção baseada na interação de quem aprende com o que se é aprendido.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis em 14.10.2010
O mal da humanidade
(Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora)
A humanidade, o conjunto de homens, existe porque há a necessidade da vida. Existe nas relações dentro da necessidade de manutenção da sua própria existência e da existência de outras espécies em total dependência. Essas relações acontecem de acordo com as disposições de cada ser sobre aquilo que se busca. Por isso, os homens se relacionam da forma como melhor sabem fazer. E, é justamente sobre essa forma de se relacionar com o Outro, que Freud afirmou ser o mal da humanidade, a falta de afeto.
Em suas teorias psicanalíticas ele mostra que transferimos às relações nossos desejos. Buscamos o Outro e, no Outro, aquilo que precisamos para dar sentido e consagrar a nossa existência. Desde que somos concebidos existimos num meio social no qual nos constituímos sujeitos, e recebemos o que esse meio pode nos fornecer, crescendo assim, de acordo com essa estruturação física, psíquica e social.
Apreendemos o mundo através da nossa família e nos baseamos no contato com eles, como o exemplo de criança, jovens e adultos que seremos na vida. Por isso, pensar na colocação de Freud sobre o afeto é ir ao encontro de questões sobre as relações humanas serem boas ou ruins, complicadas ou saudáveis, e assim como cada um caracteriza a convivência com o Outro.
Dentro dessa perspectiva, vale o questionamento sobre como conduzimos a nossa vida. Temos afeto com aqueles que fazem parte da nossa caminhada? O que é ser afetuoso e transformar assim as nossas relações sociais?
O afeto é algo tão nobre quando se tem na mente o desejo de querer o bem e estar bem. Não é fácil, principalmente quando se cresce em um ambiente tão hostil sem qualquer palavra, gesto ou atitude que signifique confiança, apoio, respeito, enfim, o que representa o gostar, o querer estar próximo, o perceber a outra pessoa nas suas características e possibilidades.
Na perspectiva freudiana sobre esse assunto, a primeira relação, mais importante na vida de qualquer pessoa, é com a mãe. A pessoa que desde o início fornece e dá sustento à primeira necessidade que é a vida. Quando nasce, a forma como é amamentada e assim, desenvolve-se recebendo os cuidados com higiene, acalentada quando sente frio, dor, desamparo, cresce e assim, recebe afeto das pessoas da família como propôs Freud (1974) com a “Teoria da Transferência”, “as crianças até os seis anos de idade firmaram-se nas suas relações com as pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto, achando-se mais ligada pelos pais, irmãs e irmãos. Um rapazinho está fadado a amar e a admirar o pai, que lhe parece ser a mais poderosa, bondosa e sábia criatura do mundo. Na segunda metade da infância, dá-se uma mudança na relação do menino com o pai – mudança cuja importância não pode ser exagerada. Descobre que o pai não é mais o poderoso, o sábio e rico dos seres; É nessa fase do desenvolvimento de um jovem que ele entra em contato com os professores, de maneira que agora podemos entender a nossa relação com eles. Transferimos para eles o respeito e as expectativas ligadas ao pai onisciente de nossa infância e depois começamos a tratá-los como tratávamos nossos pais em casa”.
Não só trataremos assim os professores, mas todas as outras pessoas e dessa forma, nos relacionaremos com o mundo. No livro “Mulheres que amam demais”, Robin Norwood coloca essa questão da seguinte forma: “existem vários tipos de famílias desajustadas, como famílias de alcoólatras, famílias violentas ou incestuosas, mas todas apresentam um efeito comum em crianças que nelas crescem: são crianças prejudicadas, até certo ponto, em sua capacidade de sentir e relacionar-se. Muitas vezes nos surpreendemos fazendo coisas que nossos pais faziam, as mesmas atitudes que prometemos a nós mesmos nunca ter. Isso ocorre porque aprendemos através de suas atitudes e até de seus sentimentos, o que é ser homem ou mulher”.
Sendo assim, ser afetuoso todo dia. Entender que não se pode mudar o passado, mas o futuro precisa ser diferente e temos condições de iniciar essa mudança hoje, no presente das nossas relações, construindo relacionamentos mais afetuosos, com mais demonstração de carinho, confiança, respeito, gestos que dão validade ao que o Outro nos mostra. Por vezes, temos perto de nós situações que realmente não precisariam acontecer então, sendo afetuosos com nossas próprias necessidades, respeitando as escolhas que formam nossa vida, saibamos transformar o mundo, que nos cerca e do qual somos tão dependentes, em um lugar mais pacífico e harmonioso.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 4/10/10
A humanidade, o conjunto de homens, existe porque há a necessidade da vida. Existe nas relações dentro da necessidade de manutenção da sua própria existência e da existência de outras espécies em total dependência. Essas relações acontecem de acordo com as disposições de cada ser sobre aquilo que se busca. Por isso, os homens se relacionam da forma como melhor sabem fazer. E, é justamente sobre essa forma de se relacionar com o Outro, que Freud afirmou ser o mal da humanidade, a falta de afeto.
Em suas teorias psicanalíticas ele mostra que transferimos às relações nossos desejos. Buscamos o Outro e, no Outro, aquilo que precisamos para dar sentido e consagrar a nossa existência. Desde que somos concebidos existimos num meio social no qual nos constituímos sujeitos, e recebemos o que esse meio pode nos fornecer, crescendo assim, de acordo com essa estruturação física, psíquica e social.
Apreendemos o mundo através da nossa família e nos baseamos no contato com eles, como o exemplo de criança, jovens e adultos que seremos na vida. Por isso, pensar na colocação de Freud sobre o afeto é ir ao encontro de questões sobre as relações humanas serem boas ou ruins, complicadas ou saudáveis, e assim como cada um caracteriza a convivência com o Outro.
Dentro dessa perspectiva, vale o questionamento sobre como conduzimos a nossa vida. Temos afeto com aqueles que fazem parte da nossa caminhada? O que é ser afetuoso e transformar assim as nossas relações sociais?
O afeto é algo tão nobre quando se tem na mente o desejo de querer o bem e estar bem. Não é fácil, principalmente quando se cresce em um ambiente tão hostil sem qualquer palavra, gesto ou atitude que signifique confiança, apoio, respeito, enfim, o que representa o gostar, o querer estar próximo, o perceber a outra pessoa nas suas características e possibilidades.
Na perspectiva freudiana sobre esse assunto, a primeira relação, mais importante na vida de qualquer pessoa, é com a mãe. A pessoa que desde o início fornece e dá sustento à primeira necessidade que é a vida. Quando nasce, a forma como é amamentada e assim, desenvolve-se recebendo os cuidados com higiene, acalentada quando sente frio, dor, desamparo, cresce e assim, recebe afeto das pessoas da família como propôs Freud (1974) com a “Teoria da Transferência”, “as crianças até os seis anos de idade firmaram-se nas suas relações com as pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto, achando-se mais ligada pelos pais, irmãs e irmãos. Um rapazinho está fadado a amar e a admirar o pai, que lhe parece ser a mais poderosa, bondosa e sábia criatura do mundo. Na segunda metade da infância, dá-se uma mudança na relação do menino com o pai – mudança cuja importância não pode ser exagerada. Descobre que o pai não é mais o poderoso, o sábio e rico dos seres; É nessa fase do desenvolvimento de um jovem que ele entra em contato com os professores, de maneira que agora podemos entender a nossa relação com eles. Transferimos para eles o respeito e as expectativas ligadas ao pai onisciente de nossa infância e depois começamos a tratá-los como tratávamos nossos pais em casa”.
Não só trataremos assim os professores, mas todas as outras pessoas e dessa forma, nos relacionaremos com o mundo. No livro “Mulheres que amam demais”, Robin Norwood coloca essa questão da seguinte forma: “existem vários tipos de famílias desajustadas, como famílias de alcoólatras, famílias violentas ou incestuosas, mas todas apresentam um efeito comum em crianças que nelas crescem: são crianças prejudicadas, até certo ponto, em sua capacidade de sentir e relacionar-se. Muitas vezes nos surpreendemos fazendo coisas que nossos pais faziam, as mesmas atitudes que prometemos a nós mesmos nunca ter. Isso ocorre porque aprendemos através de suas atitudes e até de seus sentimentos, o que é ser homem ou mulher”.
Sendo assim, ser afetuoso todo dia. Entender que não se pode mudar o passado, mas o futuro precisa ser diferente e temos condições de iniciar essa mudança hoje, no presente das nossas relações, construindo relacionamentos mais afetuosos, com mais demonstração de carinho, confiança, respeito, gestos que dão validade ao que o Outro nos mostra. Por vezes, temos perto de nós situações que realmente não precisariam acontecer então, sendo afetuosos com nossas próprias necessidades, respeitando as escolhas que formam nossa vida, saibamos transformar o mundo, que nos cerca e do qual somos tão dependentes, em um lugar mais pacífico e harmonioso.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 4/10/10
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Quem são os políticos?
Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
Candidatos ao cargo público, homens comuns, formados na cidadania como a população, mas interessados em representar a mesma, sendo que, de acordo com o relacionamento que mantêm com as suas convicções e estrutura de vida. “Tenho 30 anos e estou iniciando a minha carreira política, se eu não me comprometer com isso...”, essa afirmação é de um candidato, em uma conversa informal durante uma manifestação de campanha.
Um político como os outros que pretende dar significado à sua vida política e que precisa da confiança do eleitor, para alcançar seu objetivo. Não venho, por meio deste, defendê-lo por causa de uma simples declaração, mas pensar na questão do que é mais importante quando nos relacionamos com as causas públicas. Para isso, as idéias de Nietzsche em “Assim falou Zaratustra” fundamentarão este artigo.
“Deve construir algo que lhe seja superior. Antes de tudo, porém, é necessário que se construa a si mesmo”, essa afirmação de Nietzsche explica que para que haja o entendimento das necessidades alheias, precisamos estar em primeiro lugar, conscientes das nossas questões. Assim conseguiremos ter atitudes que num primeiro momento representam desejo individual de crescimento mas que, transformam a realidade na qual os gestos estão acontecendo.
É assim que deveriam ser construídas as relações humanas, com comprometimento. Comprometimento com as questões particulares e, principalmente com as questões sociais. Um político que entende a sua carreira como degrau para construir a si próprio, deveria pensar mais claramente que para ter êxito precisa de uma boa representação. Voltemos a Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Quando os homens conseguem entender que a cada minuto é tempo para uma atitude positiva em relação às condições necessárias à vida, eles estão indo de encontro ao que há de mais nobre na manutenção da existência, a busca e a interação com o Outro. ”Em você também ainda há de ressoar a voz da multidão. E você pertenceu à multidão durante muito tempo. Pode proporcionar a você mesmo seu bem e seu mal e retardar a sua vontade por cima de você como uma lei? Pode ser o seu próprio juiz e vingador da sua lei?. O pior inimigo, todavia, que pode encontrar , é você mesmo.”, assim Nietzsche continua a ensinar.
Dessa forma, ao nos comprometermos com as causas políticas, cidadãos e políticos, que somos, estamos nos relacionando em primeiro lugar com as nossas causas, e assim, diante de uma consciência de cidadania, mas acima de tudo, de amor e respeito ao próximo, transformamos a nós mesmos. “É necessário aprender a amar-se a si próprio com amor sadio, a fim de aprender a suportar-se a si mesmo. E não é um mandamento para hoje nem para amanhã este de aprender a amar-se a si mesmo. É, pelo contrário, a mais delicada, a mais apurada, a última e a mais paciente de todas as artes”, Nietzsche.
Por isso, a causa pública deve ser olhada com o mesmo comprometimento com o qual mantemos a nossa vida. Sejamos nossos melhores amigos, juízes, e assim, construtores sábios da nossa própria existência. Saibamos amar as causas sociais com o amor com que amamos a nós mesmos. E, então, conseguiremos com que o mundo seja um lugar acolhedor pois seremos cidadãos mais criativos na interação com as questões comuns, justamente por desejarmos atuar e representar nosso melhor papel a fim de que a platéia nos aplauda e quem sabe, continue aplaudindo para que estejamos novamente em cena.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 2/09/2010
Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
Candidatos ao cargo público, homens comuns, formados na cidadania como a população, mas interessados em representar a mesma, sendo que, de acordo com o relacionamento que mantêm com as suas convicções e estrutura de vida. “Tenho 30 anos e estou iniciando a minha carreira política, se eu não me comprometer com isso...”, essa afirmação é de um candidato, em uma conversa informal durante uma manifestação de campanha.
Um político como os outros que pretende dar significado à sua vida política e que precisa da confiança do eleitor, para alcançar seu objetivo. Não venho, por meio deste, defendê-lo por causa de uma simples declaração, mas pensar na questão do que é mais importante quando nos relacionamos com as causas públicas. Para isso, as idéias de Nietzsche em “Assim falou Zaratustra” fundamentarão este artigo.
“Deve construir algo que lhe seja superior. Antes de tudo, porém, é necessário que se construa a si mesmo”, essa afirmação de Nietzsche explica que para que haja o entendimento das necessidades alheias, precisamos estar em primeiro lugar, conscientes das nossas questões. Assim conseguiremos ter atitudes que num primeiro momento representam desejo individual de crescimento mas que, transformam a realidade na qual os gestos estão acontecendo.
É assim que deveriam ser construídas as relações humanas, com comprometimento. Comprometimento com as questões particulares e, principalmente com as questões sociais. Um político que entende a sua carreira como degrau para construir a si próprio, deveria pensar mais claramente que para ter êxito precisa de uma boa representação. Voltemos a Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Quando os homens conseguem entender que a cada minuto é tempo para uma atitude positiva em relação às condições necessárias à vida, eles estão indo de encontro ao que há de mais nobre na manutenção da existência, a busca e a interação com o Outro. ”Em você também ainda há de ressoar a voz da multidão. E você pertenceu à multidão durante muito tempo. Pode proporcionar a você mesmo seu bem e seu mal e retardar a sua vontade por cima de você como uma lei? Pode ser o seu próprio juiz e vingador da sua lei?. O pior inimigo, todavia, que pode encontrar , é você mesmo.”, assim Nietzsche continua a ensinar.
Dessa forma, ao nos comprometermos com as causas políticas, cidadãos e políticos, que somos, estamos nos relacionando em primeiro lugar com as nossas causas, e assim, diante de uma consciência de cidadania, mas acima de tudo, de amor e respeito ao próximo, transformamos a nós mesmos. “É necessário aprender a amar-se a si próprio com amor sadio, a fim de aprender a suportar-se a si mesmo. E não é um mandamento para hoje nem para amanhã este de aprender a amar-se a si mesmo. É, pelo contrário, a mais delicada, a mais apurada, a última e a mais paciente de todas as artes”, Nietzsche.
Por isso, a causa pública deve ser olhada com o mesmo comprometimento com o qual mantemos a nossa vida. Sejamos nossos melhores amigos, juízes, e assim, construtores sábios da nossa própria existência. Saibamos amar as causas sociais com o amor com que amamos a nós mesmos. E, então, conseguiremos com que o mundo seja um lugar acolhedor pois seremos cidadãos mais criativos na interação com as questões comuns, justamente por desejarmos atuar e representar nosso melhor papel a fim de que a platéia nos aplauda e quem sabe, continue aplaudindo para que estejamos novamente em cena.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 2/09/2010
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