sábado, 30 de maio de 2015

Situação lamentável:


o governo federal não fez repasse de verbas e o programa Mais Educação acabou lá na escola, fazendo com que cerca de 90 crianças deixem de ser assistidas pela educação integral, na qual tínhamos oficinas de Dança, Banda, Acompanhamento Pedagógico I e II, Múltiplas vivências Esportivas e Recreação e Lazer/Brinquedoteca. Ouvimos choro de crianças, lamento das mães que realmente precisam de seus filhos lá e foi um momento bem desagradável dispensar as monitoras que estavam fazendo um trabalho muito bom. Sentirei falta das crianças, porque é meu trabalho. Sentirei falta de ver os progressos e a confiança que eles depositavam na equipe, buscando apoio para o tempo que estavam recebendo atividades saudáveis, feitas basicamente para que eles não estivessem à toa na rua. Momento difícil, muito difícil, ver que a EDUCAÇÃO não tem valor para quem está acima de nós, nos representando. Sinto-me completamente desamparada na minha escolha de ser professora. Sinto-me abandonando todos os alunos que, hoje, disseram, "dona Gabriela, quase chorei hoje porque o Mais Educação vai acabar". Sinto-me entregando à ociosidade, crianças que estavam se tornando mais calmas e mais sociáveis com os estímulos oferecidos pela música, dança, ...

Um problema que é nosso

Na 4ªfeira, eu assistia a um programa que mostra abordagens da polícia militar, e fiquei sensibilizada ao ouvir a fala de dois menores apreendidos por roubo: "quem tem mais que a gente, precisa perder". Esse é o retrato social de um problema que é nosso, sim!! Vamos nos adotar uns aos outros? Quantas crianças e adolescentes precisam de nós, de um pouco do nosso carinho, de um pouco de otimismo e de entusiasmo ? Doação de nós mesmos para o nosso futuro. Se cada um de nós, adotasse uma criança, pra ser um pouco acariciada com um pouco da nossa atenção, com certeza, teríamos um país menos violento e menos crente na injustiça social. Não precisamos levar para nossa casa, mas apenas "cuidar", apenas ter um olhar diferenciado, apenas demonstrar que nos importamos. É muito gratificante, ver o sorriso de uma criança, quando ela responde ao nosso gesto de carinho...

sábado, 22 de junho de 2013

Eu também vou reclamar!!

   Então, Raul Seixas cantava: "Eu vou tirar / Meu pé da estrada / E vou entrar também / Nessa jogada / E vamos ver agora / Quem é que vai güentar ... / Mas agora eu também resolvi / Dar uma queixadinha / Porque eu sou um rapaz / Latino-americano / Que também sabe se lamentar... " , assim como em "Ouro de Tolo" : "É você olhar no espelho / Se sentir Um grandessíssimo idiota / Saber que é humano / Ridículo, limitado / Que só usa dez por cento / De sua cabeça animal... / E você ainda acredita / Que é um doutor / Padre ou policial / Que está contribuindo / Com sua parte / Para o nosso belo / Quadro social... / Eu que não me sento / No trono de um apartamento / Com a boca escancarada / Cheia de dentes / Esperando a morte chegar... " 
     E, com base nessas músicas, me pergunto: quem somos nós ? Qual parte estamos fazendo para que nossos diretos sejam garantidos ? Acredito que Raul Seixas estaria satisfeito vendo o Brasil sair do seu comodismo social e indo às ruas lutar e abrir a boca , literalmente, para falar, cantar, perguntar Que País É Esse em que estamos vivendo ? Ou melhor, estávamos? Um Brasil político demais que precisa de manifestos, lamentos, cartazes para acordar à realidade ? Sim, que precisava do silêncio. Silêncio , principalmente, de quem acha que não deve cobrar do paternalismo.                "A Bolsa Família te sustenta, por que você se queixa ?" 
     Vamos lamentar !!! Vamos à rua!!! Ontem , na manifestação em Petrópolis, cartazes sobre a valorização errada que é dada aos ídolos do futebol . E o Pelé é ídolo, e o Ronaldinho é ídolo, e a Dilma é "a  presidenta" , e Romário é político, e.... o que mais me impressiona é a capacidade com que questionam e posicionam suas palavras ao falar de nós. Literalmente, acredito que somos, nós, o povo, os mais bem preparados a falar sobre nossas próprias realidades. Mas falar pra quem ? Pra quem já tem o poder do dinheiro, da decisão, das leis , .... , nas mãos ? Então, a Dilma reúne emergencialmente os ministros para uma reunião pois o povo resolveu questioná-la. O povo que o governo queria quieto, silencioso.... aceitando, acatando.... . 
     "Eu presto atenção ao que eles dizem, mas eles não dizem nada / Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada / Toda forma de conduta se transforma numa luta armada (Uoh Uoh)" (Engenheiros do Havaí) . 
     Sendo assim, se não ouvimos algo importante, só nos resta dizer! Agora é a hora de falar! De dizer o que realmente precisamos. Daquilo que nos é próprio, o que nós, realmente, conhecemos como nossa realidade social, o que nos alegra, o que nos entristece e empobrece. Sem precisar ouvir alguma coisa inteligente, devemos ser nós, aqueles que melhor falam! Ninguém sabe melhor o que precisamos, do que nós mesmos! Sem medo de ser feliz!! Sem sentar no trono esperando a morte chegar! Cartazes, lamentos, vamos fazer da nossa cidade, um mural constante de avisos !! Essa luta não deve parar!! 
     
      

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Eu, meu big brother



 
   Seria você ou eu, o próximo escolhido ao paredão? Por afinidade ou força? Qual critério mais inteligente e estratégico levaria um de nós a ser eliminado de um grupo do qual fazemos parte em nosso dia a dia?  Somos amados ou temidos?
    Talvez o participante Dhomini saiba a resposta para essas perguntas, estando mais forte nessa edição do programa Big Brother Brasil. Ainda mais porque vem fortalecido pela leitura que faz, dentro da casa, dos pensamentos de Robert Greene no livro “As 48 leis do poder”. E uma das citações que me chamam atenção nesse livro, é a de Maquiavel: “é melhor ser temido que ser amado”. Por que ela é tão significativa?
   Penso que num jogo de estratégia como é esse reality show, o objetivo é chegar ao último dia, saindo de lá com o prêmio máximo em dinheiro e todo o glamour oferecido pela mídia. Apenas um jogo real, uma representação dos jogos de tabuleiros que muitos de nós jogávamos quando era criança. Lembro-me de LUDO. Contávamos com a sorte dos dados para direcionar a quantidade de casas que iríamos andar com nosso peão, mas precisávamos analisar o tabuleiro a fim de administrar bem todos os movimentos que faríamos. Assim como WAR, o jogo da guerra. Se você não eliminar, será eliminado. Sendo que a grande diferença e o que justamente nos causa euforia no BBB é justamente o fato de estarmos de fora, observando e refletindo, mesmo que indiretamente, como seriam nossas atitudes como jogadores.
   “O objetivo da guerra é a paz” por Sun Tzu em “A arte da guerra”.
    Voltando à pergunta inicial desse meu artigo, considero um jogo de estratégia, cada momento de nossa vida diária. O ambiente de trabalho é um grande e fabuloso Big Brother. Se não soubermos administrar a convivência com nosso grupo e houvesse um paredão semanal, estaríamos sujeitos a ter que indicar ou sermos indicados à eliminação. É necessário sabedoria para  guerrear no sentido de ter que conviver e administrar o contato com as outras pessoas, exatamente no mesmo objetivo da paz e da conquista da satisfação do cliente, da realização do objeto construído por aquele estabelecimento, das resoluções do escritório, enfim, de tudo o que cada grupo tem a oferecer ao mundo.
   E quanto a ser amado ou temido, a primeira eliminada do programa, a jogadora Aline, talvez tenha falhado por não saber controlar o que pensa. Justamente como consta no livro citado de Robert Greene, quando ele disserta: “As pessoas na sua maioria são como um livro aberto. Elas dizem o que sentem, não perdem oportunidade de deixar escapar opiniões e, constantemente, revelam seus planos e intenções. Elas fazem isso por vários motivos. Primeiro, é fácil e natural querer sempre falar dos próprios sentimentos e planos para o futuro. É difícil controlar a língua e monitorar o que se revela. Segundo, muitos acreditam que sendo honestos e francos estão conquistando o coração das pessoas e mostrando a sua boa índole. A honestidade  é na verdade uma faca sem fio, mais sangra do que corta” .
    E sangra muito, se não soubermos administrar a dosagem com a qual a lançaremos em relação às outras pessoas. É uma questão de discernimento, saber perceber o efeito que nossas palavras e atitudes terão sobre o nosso alvo. Por isso, saber jogar o melhor e mais interessante jogo, que é a VIDA, é garantir o sucesso de nossa índole, conquistando nosso espaço e nos aprimorando. Mas para isso, estrategicamente administrar nossas atitudes, observando o grupo, sabendo ceder na hora certa, procurando aprender mais que ensinar, enfim, interagir com o que a vida nos oferece e sobre o qual não temos controle, que é a força regente da natureza superior a nós e dessa forma, construir a nossa melhor existência.
   Fica a sugestão para esses livros “A arte da guerra” e “As 48 leis do poder”, ressaltando que o objetivo da leitura é apenas o aprimoramento pessoal. Inclusive, o clássico “O pequeno príncipe” contém muito do que Sun Tzu ensina sobre as ordens de um coronel em relação ao seu exército. Conceitos que podem e são utilizados por grandes líderes e administradores de empresas.
   Sendo assim, sejamos sempre nossos grandes e melhores irmãos. Observados e admirados, em primeiro lugar, por nós mesmos, tendo como nosso maior inimigo, a nossa própria índole. Sejamos sempre vigilantes para que esse adversário tão cruel não nos elimine na primeira semana de estreia em grupos novos. Estejamos atentos aos dados lançados e às escolhas que devemos tomar em relação à quantidade e qualidade dos passos que temos à nossa disposição para serem utilizados. Que o poder da nossa personalidade esteja sempre a favor de uma vida saudável, harmônica e assim, pacífica.
   
   

domingo, 17 de junho de 2012

Vamos olhar paternalmente?

   O mundo quer erradicar a pobreza e se desenvolver sustentavelmente de modo que saiba aproveitar suas riquezas para que haja mais igualdade, principalmente, na distribuição dos recursos e das áreas férteis. Mas, como acabar com a pobreza se, pelo menos no Brasil, temos política paternalista incentivando a proliferação de seres humanos? Qual futuro, realmente, o mundo quer pra si, para os seus, para os nossos filhos?

    Uma questão que chama atenção quando existe esse assunto pobreza é o presente da educação e o rumo que ela toma, tendo como base do futuro, crianças e jovens inseridos no meio social que os ensina a não batalhar por sua sobrevivência. A infância “pública” é um dos fatores que mais precisa de ajuda! A infância “pública” precisa receber do governo seu melhor olhar. Aquele olhar como o que devemos ter em relação a nós mesmos: “amar ao próximo como a si mesmo”, mandamento de Deus. Amar o nosso futuro que são as crianças. As crianças já inseridas na rede assim como aquelas que estão sendo geradas e aquelas que já existem geradas no ventre das mães.

   A questão é: de onde estão vindo nossas crianças? Qual o presente como tempo que as gera e vai formá-las para um futuro em que o passado seja algo realmente significativo para o bem em suas vidas? Não devemos nos prender ao passado e deixar de viver, mas devemos sim tornar o tempo de vida das nossas crianças, o seu melhor significado. Famílias estão crescendo favorecidas com o paternalismo do governo, patrocinadas por ele. Crianças estão sendo geradas com o único interesse na manutenção e continuidade de benefícios sociais.

    Um organismo infantil que seja o seu melhor futuro. Que viva a infância e se torne adulto mais saudável, mais tranqüilo, sem tanta violência, sem tanta revolta. Que sorria, que brinque, que tenha energia física para estudar, para praticar esportes, para ler, para se tornar cidadão crítico e que seja para o país o seu melhor progresso. Que esteja presente na sala de aula disposto a construir sua aprendizagem com a compreensão do objetivo e significado que isso faz na sua própria existência.

  “Se fracassarmos para instruir nossos filhos sobre justiça, religião e liberdade, estaremos condenando-os a um mundo sem virtude, a uma vida no acaso de uma civilização em que as grandes verdades terão sido esquecidas” (Presidente Ronald Reagan apud Willian e Martha Sears no livro “Crianças bem resolvidas”).

  Enfim, com olhar realmente paterno, salvemos o futuro, tornando a realidade das crianças o melhor presente! E, assim, visando uma real erradicação da pobreza, sustentaremos o desenvolvimento de um mundo muito mais fraterno e igualitário, no qual haja muita gente para muita terra.

domingo, 25 de março de 2012

De volta à sala de aula

Frequentando o pré-vestibular social do CEDERJ, aos sábados, penso em como é bom estar em sala de aula. E me vejo quase que na mesma situação de quando era aluna do ensino médio, concluindo em 1995, no Paraná, o terceiro ano junto com a preparação para o vestibular. Sendo que a diferença hoje é a disposição do organismo para assimilar tantos conteúdos novos. Não há a mesma capacidade que eu tinha aos 18 anos, mas há a motivação gerada pelo objetivo de vencer os desafios da matemática através da licenciatura.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Construindo a educação

“A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (Título II – art 2º da LDB 9394/96) . Baseada nesse parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, como deve ser a educação nesse ano novo? O ano letivo está começando e qual deve ser o posicionamento de pais e responsáveis na caminhada educacional de suas crianças e jovens? Por que é tão importante a parceria entre todos os envolvidos no processo educacional? A melhor educação como prevê a lei deve ser aquela que torna o ser humano consciente de seu papel como espécie e assim, o prepara para a interação com o meio numa consciência de direitos e deveres em relação a esse próprio ambiente. A melhor educação é aquela que construída em parceria com o estabelecimento de ensino, objetiva o pleno desenvolvimento do educando como presente mas principalmente o seu crescimento para o dia de amanha. Enfim, entre outros objetivos, a educação escolar, como prevê o art. 1º do título I da LDB, “deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. As instituições escolares na construção de suas propostas educacionais têm como dever o desenvolvimento do seu projeto educacional baseado, por exemplo, na LDB, nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) e Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instrumentos que norteiam a educação brasileira através de determinações sobre leis e o conhecimento a ser oferecido e construído entre todos os envolvidos no processo de aprendizagem. Esses instrumentos são de fácil acesso a qualquer pessoa que se interesse em conhecer qual a proposta nacional para a educação. Por isso, aos pais e responsáveis cabe nesse momento, início de uma nova caminhada escolar buscar a integração com o ambiente educacional a fim de obter esclarecimentos sobre a proposta pedagógica para o ano letivo. É direito dos pais, previsto em lei, estar na escola e freqüentar seu ambiente desde que nos limites estabelecidos pela mesma. Participar das reuniões, conversar com a equipe, observar o desenvolvimento dos filhos, analisar material, colaborar e construir junto com seu educando o conhecimento, é a tarefa de casa mais nobre que um responsável pode ter. É através do exercício de sua cidadania que pais e responsáveis, conhecendo as leis educacionais e seus parâmetros tem condições de discutir, analisar e cobrar resultados tendo em vista que a formação de um aluno precisa de base e orientação sobre como se tornar seu melhor empreendimento e futuro. A educação é o presente. É a construção hoje de cada limite, de cada correção, de cada exemplo que norteia as atitudes e constrói o conhecimento. É através do dia-a-dia, do cotidiano, da vivência, da interação. É através da disciplina de Ciências que vem o entendimento sobre a natureza, seus fenômenos num movimento de ação e reação, assim como a compreensão sobre o papel do ser vivo no meio que habita e ser integrante de todo um sistema de relações. Esses são exemplos do universo de ofertas das disciplinas que formam o conteúdo curricular que norteiam a educação brasileira, possível numa proposta interdisciplinar na qual as disciplinas são trabalhadas juntas como, por exemplo, voltando às Ciências, temos a Floresta Amazônica e sua importância para o mundo integrada à Geografia que ensina sobre sua dimensão e localização. Construir à base de questionamentos, a História do Brasil, para que sejam redigidas com o uso de um bom Português, as leis que preservem a natureza e não permitam a reação da mesma como um futuro desastroso para a humanidade. Eduquem e se eduquem! Construam o conhecimento, tornem-se cidadãos conhecedores de direitos e deveres a fim de estabelecerem com o meio a melhor interação sabendo-se como um ser constituído de células que nascem, crescem, desenvolvem-se e morrem sobre um lábaro que ostenta estrelado num movimento constante de busca por equilíbrio. Uma boa educação em 2012 possibilita, principalmente às crianças, a construção da aprendizagem de forma que sejam conscientes sobre seu papel no meio em que vivem tornando-as responsáveis à manutenção e preservação como espécie.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Um mundo novo

“Vemos o mundo do jeito que vemos em função do pretendemos fazer com ele. Dessa forma, cada indivíduo é, em certa medida, o criador do seu próprio mundo. E cria seu mundo em função dos valores que tem e que escolher previamente, aqueles segundo os quais ele vive, que fazem dele o que ele é” (Paul Strathern no livro “Kierkegaard em 90 minutos”). Ao escrever o artigo sobre o ano novo, lembrei dessas colocações e ideias existencialistas, pois acredito que construiremos um bom ano novo de acordo com nossas escolhas, e como o filósofo defende, “deveríamos estar cientes da completa liberdade que temos a cada momento. Podemos escolher qualquer coisa – podemos transformar completamente nossas vidas”. Por isso, que mundo queremos para nós? Somos tão livres em relação ao mundo, e por isso temos direitos e deveres a serem seguidos de acordo com os valores com que caminhamos e construímos a nossa vida. Se ela está certa ou não, não há no mundo quem deva julgar. O que parece certo, é que o mundo reage a nós num movimento claro de ação e reação, pois cada escolha gera uma conseqüência. Dessa forma, teremos durante um ano 24 horas preciosas, a cada dia, que serão bem ou mal aproveitadas de acordo com nossas escolhas. Mas existe um caminho correto? Como colocou o cantor Gonzaguinha, “somos nós que fazemos da vida, o que der, ou puder, ou quiser, sempre desejada, por mais que esteja errada”. Temos a liberdade de agir com amor ou ódio, de sermos felizes ou tristes, de estarmos satisfeitos ou injuriados com aquilo que acreditamos ser o melhor para nós, de questionar a Deus como no filme “a arvore da vida” “por que?” ; temos direito de decidir viver ou morrer mas temos deveres de pensar em nós mesmos como seres constituídos de uma espécie e ser integrante de uma cadeia; no entanto, nosso organismo vivo nesse meio natural é apenas um, singular, mas composto por células que nascem, crescem, se desenvolvem e morrem. Essa é a condição! Dessa forma, qual a razão de estarmos na vida a cada dia e darmos a ela o seu melhor significado? O presente é nosso melhor momento, pois estamos construindo assim o futuro, o minuto seguinte que irá nos receber da forma como desejamos e acreditamos sendo que o receberemos acreditando que é bom ou ruim na medida do que precisamos. “Para Kierkegaard, mais importante do que a busca de uma VERDADE com letras maiúsculas era a busca por verdades que são importantes para a vida de cada indivíduo. Ele dizia que o importante era encontrar “a minha verdade”, a verdade de cada um”, por Jostein Gaarder em “o mundo de Sofia”. Sendo assim, façamos de 2012 o nosso melhor ano! O melhor significado para a nossa vida. Busquemos verdades e respostas lembrando que cada momento deve ser consciente em relação aos objetivos que temos e as construções que queremos realizar.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Vamos construir um bom ano novo?

“Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente” - Carlos Drummond de Andrade. Interessante essa colocação para começarmos o ano, pois desejamos tantas coisas para que o ano novo seja melhor das frustrações, dos problemas, de tantas questões que nos incomodaram no ano que passou. De um dia para o outro, ao soar meia-noite queremos que tudo se transforme e fique tudo bem. E o que fazemos para que os minutos de um novo ano que correm no relógio nos lembrando que somos parceiros de uma vida em constante construção, sejam aproveitados a nosso favor? “So this is Christmas, and what have we done? Another year over and new one just begun” (John Lennon) “Então é natal, e o que nós temos feito? Um ano termina e o outro está apenas começando… “ Começando com os nossos pensamentos nos minutos seguintes, já cheios de planos, já cheios das responsabilidades e demandas da vida para resolver. Temos muitas expectativas diante uma vida, a nossa vida, que é cheia de escolhas constantes. Queremos um mundo melhor, de que forma vamos construí-lo? Queremos mais paz, então quais são os nossos sentimentos quando precisamos resolver as questões do dia-a-dia? Sabemos respeitar os nossos limites e os limites do Outro? Queremos mais saúde, mas estamos dispostos a largar vícios, melhorar alimentação, exercitar o corpo e a mente para que o organismo tenha mais disposição assim como procurar ajuda especializada quando as nossas questões complicadas são mais fortes que nós impedindo que a interação com outras pessoas seja mais tranquila? No livro “A arte do Aconselhamento psicológico” de May Rollo tem a colocação de dois pensadores: “ A vida que não é analisada não vale a pena ser vivida” (Sócrates) e “Eu vi que todas as coisas que eu temia nada tinham de bom ou mau, em si mesmas, mas apenas na medida em que a mente era por elas afetada. Aquele que compreende a si mesmo e a suas emoções, ama a Deus e quanto mais ama, mais compreende a si mesmo e suas emoções”. Sócrates foi o pensador que nos deixou aquela pergunta “Conhece-te a ti mesmo?” e Ovídio Naso, na obra “A arte de amar”, coloca o seguinte: “Só poderá amar com sabedoria aquele que conhecer a si mesmo, e só ele terá forças para o seu empreendimento”. Por isso, somos humanos inteligentes capazes de ter forças para os nossos melhores empreendimentos. Empreendedores dessa construção mais importante que é a nossa própria vida. A vida, que queremos, cheia de paz e saúde. Esses são os componentes mais importantes nessa obra. Se tivermos saúde do corpo e da mente, teremos paz no coração a cada dia que acordarmos, para que as nossas atitudes reflitam na forma como as paredes de uma nova casa serão erguidas. Se tivermos paz vinda da religião, ou de qualquer outra forma de meditação, conseguiremos erguer tijolos com amor e com nossos melhores sentimentos. Para Nietzsche, em “Assim falou Zaratustra”, “dez vezes ao dia deve reconciliar-se consigo mesmo, porque é difícil vencermo-nos, e o que não estiver reconciliado dorme mal”. Sejamos! Estejamos para um ano novo com um grande projeto na nossa frente! O projeto de nossa própria morada, de nossa própria vida! Um projeto de acordo com as nossas escolhas! Um projeto que reflita o amor, a paz, a saúde e todos os desejos que tivemos na noite do reveillon!

domingo, 27 de novembro de 2011

A árvore da vida

Existe um filme novo nas locadoras chamado "a árvore da vida" com Sean Penn e Brad Pitt. Espetacular sobre as relações humanas com a natureza e Deus. Cenas fantásticas da vida natural que nos cerca numa harmonia perfeita com a interpretação das personagens e a trilha sonora com composições clássicas como as de Johannes Brahms. Interessante sobre a razão da nossa existência e a relação entre o destino e a conseqüência das nossas atitudes sobre a nossa própria vida e a dos outros.
Há uma força maior no universo que rege a nossa vida. Essa força é Deus ou a natureza existente em processos científicos e físicos? Ou conseqüências das nossas atitudes num movimento de ação e reação? Deus criou o mundo e esse responde a nós da forma como interagimos com ele? Se somos mais fortes e pisamos nos mais fracos, esses poderão ficar imobilizados por medo. Se somos racionais e temos a capacidade de transformar e usar a nossa inteligência com mais capacidade e força sobre a natureza, como essa responderá a nós?
Dentro dessa perspectiva, o filme traz uma reflexão muito importante sobre relação entre pai e filho. O poder que um pai tem com a posição de superioridade em relação a um filho em formação. A posição que tem os homens sobre o que acreditam ser a verdade absoluta no poder de Deus. Ou o filho aceita as imposições divinas acreditando que deve ser submisso a uma força maior que ele, ou enfrenta os questionamentos sobre como vê o mundo e sua própria existência. O pai tirânico que reconhece seus próprios fantasmas interiores e acaba por submeter os filhos ao regime disciplinar muito severo. Há um momento em que ele se dirige ao filho mais velho, o que é o mais pensativo sobre os poderes do pai, e coloca o seguinte: “você deve ter o controle sobre o próprio destino. Não diga: não consigo; e sim, ainda não concluí, tenho dificuldades. Não deixe ninguém dizer que há algo que não consegue fazer. Enquanto você espera algo acontecer, lá se foi."
Qual o nosso poder sobre o nosso próprio destino? Ser regido por forças naturais sobre as quais não temos controle, mas ao mesmo tempo conduzir a nossa vida questionando e modificando o que nos é possível de forma que a nossa relação com a natureza seja de harmonia e paz? Quando um dos filhos morre, há uma ligação espetacular entre cenas de fenômenos naturais com o questionamento a Deus, feito pela mãe: “eu fui infiel a você? Por que? Onde vc estava? Você sabia? Quem somos nós pra você?. ”
.A natureza, mostrada no filme, é aquela que nos dá de presente o colorido da vida, as lavas de um vulcão em erupção, o rio tranqüilo que se transforma em cachoeira; a lagarta de uma cor só que se transforma em borboleta com cores variadas em uma perfeita harmonia em duas asas com a mesma seqüência colorida; a união de células que dá origem à vidas novas como a dos seres humanos num processo científico regido pelo mistério da vida e que se altera de uma forma boa ou ruim de acordo com nossas escolhas e assim, conseqüência das nossas atitudes; e muitas outras como a cobra que rasteja por baixa da água, os oceanos, a vegetação, os mares, ...
Sendo assim, esse filme é fantástico e por isso, indispensável, pois traz uma abordagem muito positiva sobre a vida. Transmite mensagens sobre a relação entre o homem, a natureza e Deus. Incrível nas cenas que se cruzam entre os questionamentos das personagens e os movimentos físicos. Um tema complexo e por isso, de difícil compreensão, principalmente por propor reflexão sobre os limites entre religião e ciência, mas justamente por isso, riquíssimo para pensarmos sobre qual a razão da nossa existência e nossa posição como filhos dessa força maior, que nos rege, como sendo um pai severo que nos pune ou nos dá liberdade para interagir com a vida, respeitando limites e sofrendo conseqüências por nossas atitudes.

domingo, 9 de outubro de 2011

Salvando as crianças, salvando o futuro...

A infância “pública” precisa de ajuda! A infância “pública” precisa receber do governo seu melhor olhar. Aquele olhar como o que devemos ter em relação a nós mesmos: “amar ao próximo como a si mesmo”, mandamento de Deus. Amar o nosso futuro que são as crianças. As crianças já inseridas na rede assim como aquelas que estão sendo geradas e aquelas que já existem geradas no ventre das mães. As crianças merecem um presente que seja algo realmente significativo para o futuro.
No filme Kung Fu Panda tem a seguinte colocação: “ o hoje é uma dádiva por isso tem esse nome, presente”. Já na 2ª edição, tem o seguinte: “não importa o passado; e sim, o que somos e no que vamos nos tornar”.
A questão é: de onde estão vindo nossas crianças? Qual o presente como tempo que as gera e vai formá-las para um futuro em que o passado seja algo realmente significativo para o bem em suas vidas? Não devemos nos prender ao passado e deixar de viver, mas devemos sim tornar o tempo de vida das nossas crianças, o seu melhor significado. Famílias estão crescendo favorecidas com o paternalismo do governo, patrocinadas por ele. Crianças estão sendo geradas com o único interesse na manutenção e continuidade de benefícios sociais.
É um presente que não é dádiva na vida de ninguém. É um presente que formará um futuro desastroso principalmente no que abrange à educação pública. Não que o governo não deva olhar e assistenciar às famílias, mas constitucionalmente, as crianças têm direito a uma vida de qualidade. É preciso um olhar diferenciado sobre os benefícios de forma que os maiores beneficiados sejam as crianças. Que elas tenham o direito à vida, à alegria de viver, a uma boa formação física e mental, de forma que cognitivamente elas estejam aptas a viver e interagir com a vida no seu melhor significado.
Um organismo infantil que seja o seu melhor futuro. Que viva a infância e se torne adulto mais saudável, mais tranqüilo, sem tanta violência, sem tanta revolta. Que sorria, que brinque, que tenha energia física para estudar, para praticar esportes, para ler, para se tornar cidadão crítico e que seja para o país o seu melhor progresso. Que esteja presente na sala de aula disposto a construir sua aprendizagem com a compreensão do objetivo e significado que isso faz na sua própria existência.
“Se fracassarmos para instruir nossos filhos sobre justiça, religião e liberdade, estaremos condenando-os a um mundo sem virtude, a uma vida no acaso de uma civilização em que as grandes verdades terão sido esquecidas” (Presidente Ronald Reagan apud Willian e Martha Sears no livro “Crianças bem resolvidas”).
Enfim, salvemos o futuro, tornando a realidade das crianças o melhor presente!
27.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A educação pública pede socorro!

Inaceitável a situação da educação pública brasileira! Inaceitável a situação do suporte à educação pública! Crianças e jovens estão sozinhos nessa caminhada. Caminhada que precisa ser amparada pelo governo. Um governo que seja paternalista, mas como um bom “pai” que saiba limitar os desejos de seus filhos; e não, que estimule mais a pobreza e a dependência familiar em relação a benefícios sociais. Um governo que olhe realmente às necessidades dos seus “filhos”.
“Toda ação humana é potencialmente geradora de significados, potencialmente transcendente, mas apenas alguns poucos gestos têm a sorte de fazer a História, reservam seu lugar no futuro. A menos que você seja um professor(a). Neste caso, cada palavra dita, cada movimento do olhar tem seu lugar reservado no futuro do outro, do país, do mundo. Por bem e por mal”, por Wanderley Codo (coord. ) do livro “Educação: carinho e trabalho”.
Professores, educadores, orientadores, enfim, equipe escolar que se volta a um aluno e busca conduzi-lo ao melhor significado que deve ter na construção da sua vida. Por bem estamos nesse caminhada, mas como fazer isso se o governo não ampara os alunos com ajuda especializada para que a aprendizagem do conteúdo didático seja construída? Um aluno tem, sim, seu lugar na História e merece fazer parte dela com o seu melhor significado.
Quando inserido no ambiente escolar ele forma uma sala de aula. Essa por sua vez seria a perfeita se ele estivesse acompanhado só por alunos, física, mental e cognitivamente capazes. Seria ótimo trabalhar assim. Mas, a realidade não é essa. Cada um com a sua questão, com o seu organismo, exercendo e ocupando seu lugar na educação. Por isso, temos alunos com deficiência auditiva, que desistem de estudar por não terem condições de acompanhar a turma; temos alunos com deficiência fonoaudiológica que em 9 meses depois de iniciado o processo de construção da alfabetização não reconhecem a primeira vogal “a” ; temos alunos que insistentemente precisam de atenção porque se sentem inseguros psicologicamente para serem independentes uma vez que em casa o entorno lhes é algo perturbador; temos alunos que são violentos porque presenciam a violência doméstica diariamente em seu ambiente; ... .
Enfim, temos alunos que participam da História, e por bem ou por mal caminham. Enfim, temos o governo que participa da História e, infelizmente bem ou mal, exerce sua influencia. Influencia que deveria existir como sendo a melhor possível na vida dos nossos alunos. Aquela que seja aceitável. Aquela que realmente transforme e forme o futuro dos nossos alunos.
Dessa forma, cabe olhar aos nossos alunos com empatia, “einfühlung”, termo em alemão que significa, literalmente, “sentir dentro”. Ser empático é um estado de identificação mais profundo da personalidade em que o verdadeiro entendimento entre as pessoas pode ocorrer. Conseguir se identificar com o outro, sentir como se fosse o outro, imaginar como um aluno aprende, imaginar como um aluno aprenderia mais se enxergasse melhor, se escutasse melhor, se estivesse afetivamente mais calmo, ... .
Por bem à educação, os nossos alunos merecem ser salvos!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O outro

A necessidade do Outro na nossa vida é algo realmente interessante. Precisamos da outra pessoa mas ao mesmo tempo precisamos dar conta de estar sozinhos, como sozinhos mas não solitários. Por isso, homens e mulheres existem em relações, pois é a condição da perpetuação da espécie. E, justamente por isso, é um assunto que rende muito.
Existe um filme novo nas locadoras que chama “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” (You will meet a tall dark stranger), uma crônica de Woody Allen sobre o amor. Na crônica, todos estão à procura da pessoa certa. Um casal que se separa pois o marido deseja curtir a juventude perdida e se une à uma garota de programa a quem decide oferecer conforto material como uma tentativa de fugir da solitude. Esposa abandonada, por sua vez, recorre à uma cartomante buscando respostas e previsões futuras sobre a sua vida. A filha do casal, sustentada pela mãe, vive um casamento infeliz no qual o marido, um escritor fracassado, não é seu companheiro como deveria ser e dá abertura para que ela se envolva com o chefe, que também é uma pessoa inacessível ao que ela precisa. O marido, escritor, por sua vez, se apaixona pela vizinha em quem encontra a parceira que gostaria de ter. Já no filme “Pecados Íntimos”, cujo nome real é “little children” que traduzindo significa, criancinhas, os casais também apresentam dificuldades no encontro das necessidades alheias, em que vivem casamentos protocolares e acabam encontrando em outra pessoa, aquela questão que buscavam para se sentirem bem na interação com o outro.
Sendo assim, qual a razão para que as relações sejam tão complicadas? Por que homens e mulheres não encontram no casamento com seus parceiros, o que encontram fora dele? No filme “Pecados Íntimos”, Brad está desempregado e não consegue ser aprovado no exame para ser advogado, quando conhece Sarah (Kate Winslet), que acredita nele como homem e o incentiva nos aspectos que ele considera ruins na sua vida. Um se interessa pelo outro pois se encontram nessa questão, o despertar do que justamente estava escondido na relação do casamento.
No livro “homens que odeiam suas mulheres e as mulheres que os amam”, a Dra. Susan Forward, coloca o seguinte: “muitas pessoas hoje em dia sentem-se confusas sobre o que esperar e como se comportar num relacionamento. Os homens preocupam-se em ser carinhosos e sensíveis sem perder a masculinidade”. Já para Robin Norwood em “mulheres que amam demais”, muitas mulheres entram em relacionamentos sem antes estabelecerem um relacionamento verdadeiro em primeiro lugar com elas próprias.
Talvez a maior dificuldade nas relações seja a falta de encontro entre os parceiros. Parceiros que são adultos, mas que na verdade, muitas vezes são crianças grandes brincando de casamento sem ter definido o objetivo de uma relação conjugal na qual deveriam ser capazes de construir amor, sexo e amizade. Relações em que os parceiros tivessem condições de estar sozinhos nos momentos propícios a isso, cada um com suas atividades, mas no encontro da relação a fim de não viverem solitários numa união conjugal. O convívio que estimula e fortifica a intimidade, aquela construída a base do que se precisa. Ter liberdade e espaço para serem individuais como pessoas, mas unidos como parceiros dessa caminhada tão rica que se chama relação conjugal

sábado, 30 de abril de 2011

Manda quem pode...

A educação é uma das atividades necessárias ao desenvolvimento da espécie e assim, da construção do mundo, tendo um valor tão grande como questão fundamental à vida e que merece ser olhada e pensada da maneira mais criteriosa possível quando envolve os alunos, a equipe, escola, enfim todo universo que suporta essa função de educar. Educar não é um conto de fadas em que no final todos viverão felizes para sempre. Cada dia é um dia muito importante nessa construção e um tijolo colocado no lugar errado fará muita diferença.
Sendo assim, quem manda na educação? Para Humberto Gessinger , “toda forma de poder é uma forma de morrer por nada”. Que poder nós temos como educadores ao pensarmos a educação? Cabe dentro dessa questão tão nobre elevarmos tanto a nossa autoridade sem olharmos as reais necessidades dos nossos alunos? Qual o limite para nós, condutores dessa construção, ao nos depararmos com tanta carência afetiva e material? No livro “O pequeno príncipe”, Antoine de Saint-Exupéry faz a seguinte colocação: “É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis”.
Nós mandamos. Nós temos o poder de conduzir o rumo que queremos para o ano letivo de cada turma. É dado a cada membro da sociedade escolar esse poder. No entanto, deveríamos ter o grande poder de conduzir a construção da aprendizagem de uma forma sensata que respeite os limites dos nossos alunos, como do espaço de sala de aula e de toda a comunidade escolar envolvida. Mas, às vezes, esse poder passa do que é sensato e infelizmente, há o esquecimento da didática, da pedagogia, do juramento de comprometimento com a causa.
Um aluno, sua família, sua comunidade, enfim, todas as questões que o cercam e o formam como sujeito da educação, está presente na sala de aula e exerce com suas características uma influencia marcante em cada dia de interação. Por isso, o olhar dispensado a ele quando inserido na escola deveria ser aquele que situa o conjunto e o integra às possibilidades existentes à construção da sua aprendizagem; assim como, se existe dele a disposição para acompanhar o grupo.
Assumimos sim um compromisso. Atender a essa causa da educação tendo em vista suas necessidades e limites sabendo dos nossos próprios limites, sabendo dos limites das nossas atitudes. A realidade existe. Por vezes, há a construção de um planejamento tão rico e com uma expectativa positiva sobre a resposta da turma para seu desenvolvimento, e no entanto, a realidade que nos espera na hora da entrada é aquela que proporciona uma rápida reflexão do que se faz ali na frente de uma turma com uma história tão cruel de violência, abuso, fome, que ninguém em sua plena consciência gostaria de escutar. Mas é justamente aí que entra o nosso comprometimento. Pensar na realidade sem querer reformá-la a qualquer custo, ou passar por cima dos limites da realidade da comunidade escolar, por causa da nossa autoridade como pessoas mais esclarecidas. É nessa hora que entra a nossa razão como seres humanos. O que nos cabe fazer levando em consideração o nosso papel como educadores do mundo? Devemos escrever pelos nossos alunos ou ensina-los a escrever, auxiliando quando necessário, às vezes pegando em sua mão? Somos o exemplo, somos a autoridade que ensina e que exerce influencia. Somos atores num espetáculo em que a caminhada da vida, bem estruturada, é o objetivo e assim, a mensagem final.

terça-feira, 8 de março de 2011

VIVA! A nós, mulheres, educadoras.

(Gabriela P.B. Fernandes – educadora)
O Dia Internacional da Mulher é uma ótima oportunidade para lembrarmos do valor do trabalho que nós, professoras, educadoras do mundo, desenvolvemos diariamente no exercício da nossa profissão. É algo tão grandioso que, desde que feito com o real comprometimento assumido no juramento no dia da formatura do magistério, valeria o melhor salário que o sistema deveria pagar. Mas que na verdade, não há salário que pague o aprendizado adquirido com a interação num ambiente escolar.
Uma nova escola, uma nova turma, novos olhares, novas famílias, novas questões. É assim. Quando entramos em uma nova sala, o planejamento é sempre diferente, pois os alunos são outros, é uma realidade nova. Adaptamos nossa característica profissional às necessidades da nossa turma. É a nossa turma, aquela com a qual caminharemos por um ano letivo e pela qual temos o comprometimento com o conteúdo didático a ser construído. É a nossa turma, que se mostra aos poucos. São alunos. Meninos e meninas, crianças, adolescentes, adultos, cada um com sua questão, cada um com sua busca. Uns mais tranqüilos, outros mais ansiosos. Uns mais organizados, outros que, misteriosamente, sempre perdem o lápis e a borracha que você empresta. Mas a realidade de um ambiente escolar é muito flexível. Não existe a sala de aula perfeita, pois não existe a estrutura familiar perfeita. Há diferenças sim, cada comunidade tem sua característica. E uma boa educadora, é aquela que sabe se adaptar a essa condição.
A educadora, a unidade escolar e a comunidade só constroem uma educação de qualidade se caminharem juntas o caminho da educação. Um portão aberto que se fecha na hora certa colocando o limite que situa. Assim, há uma diferença muito grande entre a equipe pedagógica que, conhecendo a sua realidade social, recebe uma nova professora e coloca que um aluno precisa de limites e um posicionamento exigente, mas de afeto pois vive num mundo muito carente; e, aquela que diz que não se estabelece relação afetiva com aluno para que não haja perda de controle.
Ora, estar em uma escola, é olhar vários rostos e saber ver através dele. Entender que se o seu aluno tirou o sapato, ou melhor, a bota de plástico dentro de sala é, dando a chance dele se explicar, escutar que, estando sem meia, o pé estava queimando num dia mais quente; saber que uma touca que não pode ser tirada, pode estar escondendo uma infestação de bichos berne na cabeça de uma criança. Essa é a realidade da nossa educação. A realidade para qual uma educadora deveria estar muito bem preparada. Como construir a aprendizagem se a cabeça ou o pé queimam, se o estômago dói, se o cheiro de xixi na própria roupa é tão forte que incomoda os colegas e isso gera comentários? Fora o ambiente familiar, a estrutura fora da escola, a convivência em casa, o ambiente, enfim, a realidade desse aluno. É triste, pensarmos que planejamos todo nosso trabalho esperando resultados positivos mas que nos deparamos com obstáculos tão grotescos que nunca desejaríamos escutar. No entanto, a tristeza existe exatamente pelo desejo de que nossos alunos sejam muito mais do que aquilo que a realidade lhes impõe. E justamente aí entra o nosso valor como educadoras. O olhar feminino, aquele que acolhe com carinho, aquele que olha com afeto essas questões. O caminho que construímos com a caminhada. Essas pedras que retiramos e que passamos a conhecer, nas quais não podemos pisar. Um portão aberto a esses alunos, a suas mães e familiares.
Cada comunidade com sua característica. Uma que leva suas crianças à unidade alcoolizada e assim as sustenta em casa, para enganar a fome. Outras que mesmo carentes participam da unidade escolar por essa estar sempre com os portões abertos receptivos à ela. Outra que evade da escola por não receber o limite que situa nem a atenção que precisa para construir sua identidade como comunidade.
Sendo assim, qual é o nosso real juramento como educadoras? Devemos ter tantos limites afetivos no contato com nossos alunos ou nos abaixar a sua altura para olhar em seus olhos a fim de conhecer seu verdadeiro rosto?
Educar é uma tarefa nobre! Merecia, sim, ser a profissão mais valorizada. Merecia, sim, o melhor salário. Mas, merece muito mais do que isso. Merece as nossas mãos. Merece saber dizer a um aluno que existe uma troca satisfatória de aprendizado com o conhecimento que adquirimos com ele. Merece das nossas mãos os melhores gestos. Merece das mãos de quem tem o poder de um sistema, o melhor olhar. O olhar que enxerga a profissão e o local de trabalho como a base da estruturação social de um mundo. Existe um mundo tão vasto no universo escolar!
Dessa forma, sejamos educadoras com olhar! Com amor, com afeto, com limites e, acima de tudo, com compromisso ao que fazemos. Mulheres dotadas de emoção. Mulheres que são gente! Mulheres que dão à vida novas vidas e que com esse olhar saibam ver os filhos gerados por outras mulheres como nossos, assim como sabendo dos próprios limites, sejam capazes de exercer o que Jesus nos pediu: “amar ao próximo como a si mesmo”.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Viva! À Escola São Judas Tadeu.

Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).

“Ora, é lógico... numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.” (Paulo Freire). Exatamente assim é a escola citada no título. É sobre a educação construída no bairro Mosela, pelos alunos e toda equipe que compõe essa unidade da rede pública de ensino, que as palavras tomarão sentido neste artigo.
A escola São Judas Tadeu é uma escola, como definiu a diretora, Mônica Chung, que estará sempre com as portas abertas à toda contribuição positiva que vier da comunidade. Não só da comunidade, mas de toda equipe. Além das disciplinas como português, matemática, ... , há o desenvolvimento de atividades como aula de xadrez e música, sala de leitura e biblioteca. Atividades que enriquecem e muito o desempenho dos alunos.
Essas atividades são oferecidas e desenvolvidas pelos profissionais formadores da escola que acreditam que transformam vidas e gerações. Transformam pois estimulam o organismo de um aluno como um todo. Transformam pois cada aluno tem suas características e essas atividades proporcionam o desenvolvimento de diferentes áreas do cérebro, assim como amplia o conhecimento dos alunos em relação à sua própria existência. Saber ler bem e assim construir bons textos, além de formar opiniões; desenvolver o gosto pela música, e até mesmo, decidir se gosta ou não de cantar e participar do coral; assim como o xadrez que proporciona a concentração, estimula o raciocínio. Tudo isso, transforma pois quando se entra na escola, é fácil perceber o comprometimento com a causa escolar e a responsabilidade com o que se prega.
Dessa forma, é essa escola. As portas abertas que nos convidam a entrar pois sabemos que lá dentro existe o que buscamos para construção de nossa própria existência, pois se mantém viva, a crença que há possibilidade de crescimento com a interação simplesmente por estar lá, por fazer parte do grupo, por interagir no meio escolar. “Sendo assim: educar-se na escola! Obter conhecimento na escola! Crescer na escola! Ser formado na verdadeira cidadania.”(Paulo Freire).
Por isso, no dia 21 de setembro deste ano, a escola deu início à mais uma atividade. Complementou seu compromisso com a educação, com aulas de reforço escolar gratuitas aos alunos. Neste ano, refiz à Mônica, uma oferta antiga de trabalhar voluntariamente com reforço escolar. Esse trabalho era desenvolvido na comunidade do Quarteirão Brasileiro, principalmente aos alunos da Escola Paroquial Nossa Senhora das Graças, no salão paroquial, cedido pela igreja. Havia uma parceria com as professoras e a escola para que houvesse a assistência aos alunos, inclusive com o fornecimento de datas, conteúdos e questões relacionadas à aprendizagem. No entanto, em fevereiro deste ano, a comunidade, alegando serem necessárias obras no salão, não permitiu mais as aulas. E, assim, perdeu um trabalho que acrescentava demais à construção da aprendizagem, pois o reforço escolar era feito através da fixação das disciplinas e de atividades lúdicas como jogos e passatempos.
Então, há quase 3 meses, iniciamos na Mosela, uma parceria com o trabalho voluntário de reforço escolar aos alunos. Essa atividade é desenvolvida no salão da igreja, até que, como disse a diretora, haja uma sala disponível só para essas aulas. Mesmo assim, há condições de atender aos alunos no espaço cedido. Quando essa idéia surgiu, a escola se organizou, a equipe pedagógica, através do contato com professores e responsáveis, formou os grupos para os dois turnos, com o apoio de outra professora, buscando atender aqueles que mais precisavam e dessa forma, em quatro dias de aulas por semana, a melhora na construção da aprendizagem pelos alunos assistidos, já foi percebida.
Não que não existam questões, que exigem mais atenção, como em outras escolas, mas quando se transmite limite, há confiança de que há preocupação. De que há um olhar que se importa, que quer ver um sorriso onde há tristeza, solidão, desamparo; onde há necessidades. Necessidades como de um dos alunos que chegou à aula de reforço com dificuldades em matemática e que transmitiu naquela primeira aula o quanto precisava apenas ser atendido. Apenas ter um olhar voltado a ele mesmo que por instantes em que uma hora é dividida por mais alunos também com dificuldades. E, então, nesses três meses, construindo a confiança que lhe é precisa para operar a tabuada e assim, o conhecimento necessário para efetuar as contas de matemáticas, já caminha sozinho, apesar de ainda tropeçar em algumas pedras do caminho, e em outras apenas para que lhe seja estendida a mão no afeto que precisa para se levantar com a segurança de que não existe solitário nesse mundo, mas existe sim, na sua particularidade como ser humano.
Dessa forma, cada dia é um dia de valiosa importância na vida de cada ser humano, principalmente, de nossos alunos. É com a consciência voltada na influencia mais que positiva exercida por todas as atividades desenvolvidas, que a Escola São Judas Tadeu existe e cresce cada vez mais pois se acredita parte integrante fundamental na construção da existência humana.
Sejamos sempre, assim, profissionais comprometidos com a causa da educação, mantendo abertas as portas pelas quais passam nossos alunos esperando ser recebidos pelo conhecimento que lhes influencia e dá sentido a si como ser vivo e humano, e parte integrante fundamental à vida.

Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 18/11/2010

domingo, 17 de outubro de 2010

A política como circo

Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).

As eleições vão ao encontro do que o povo escolhe. Escolhas que são de extrema importância para o futuro de uma nação e que refletem exatamente como o povo pensa e vê a causa pública. Justamente por isso é que elegeu o palhaço Tiririca para representá-lo. Infelizmente elege-lo pode significar exatamente como o povo vê a política no nosso país, talvez como um grande circo.
Um circo no qual o povo, como público, assiste aos espetáculos dos atores principais, os políticos, como uma verdadeira comédia em que não existe nenhuma verdade no que se faz. No entanto, esse grande espetáculo político, que acontece no nosso país, em nenhum momento foi representado por cidadãos vestidos como palhaço e usando nariz de palhaço. Por isso, eleger o candidato Tiririca talvez tenha sido a forma escolhida, pelo povo, para caracterizar verdadeiramente a política que acontece diante dos nossos olhos.
Essa política que muitas vezes nos aparece totalmente descomprometida com a causa pública. Os números que elegeram esse candidato, que pode ser cassado por ser analfabeto, refletem que, o povo, mesmo assistindo à sua propaganda eleitoral, em que ele foi questionado sobre o que faz um deputado e respondeu que quando chegasse lá, descobriria, pode ter acreditado nessa fala como uma verdadeira piada de palhaço num espetáculo do circo.
Sendo assim, quem está mais descomprometido com a causa pública? Um candidato, que para representar o povo, o faz como palhaço; o povo que não discerne sobre quem vai representa-lo, ou os políticos atuantes que representam o país e permitem os grandes espetáculos escandalosos com a imagem pública e, com isso, influenciam o povo a não acreditar mais na política como algo extremamente importante à construção da cidadania e assim, manutenção da vida?
Pensar na eleição, usando como exemplo o candidato citado acima, é ir ao encontro do que aconteceu aqui em Petrópolis, em que candidatos muitas vezes já eleitos em nossa cidade não tiveram votos satisfatórios, pois talvez já estejam fora do alcance do que o povo precisa. Isso nos leva ao questionamento sobre o que se faz com a causa pública. Qual a imagem que se quer formar? Para o filósofo Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Por isso, é pertinente a necessidade dessa representação pública, ser sim, verdadeira. Ir ao encontro do que o povo necessita. Quando um candidato se preocupa com a sua imagem no sentido de construí-la a fim de que transmita ao Outro, confiança de que será capaz de proporcionar uma interação que vai ao encontro das necessidades, está apto a si aprimorar muito no verdadeiro sentido da política.
Sendo assim, candidatos como Tiririca que precisam de personagens para dar vida à sua carreira pública e política no país, representando o povo, teriam uma interação melhor se usassem como tema principal de seu espetáculo, o que vai ao encontro do que o povo precisa, pois assim, tornariam o grande palco de circo em que se transformou, infelizmente, a política brasileira, num grande espetáculo.
Dessa forma, sejamos todos, políticos verdadeiros na representação da vida, a fim de que o espetáculo seja muito bem representado e aceito pela platéia que o assiste, pois tudo aquilo que é bem construído, com bases fortes e seguras, tende a estar firme no maior propósito que é a vida. Piadas são facilmente esquecidas pois num primeiro momento podem ir ao encontro de questões pertinentes ao cotidiano, no entanto, não se encontram com o que se precisa. O que se fixa no cérebro humano, é o conhecimento que desestrutura para estruturar o que precisa ser apreendido, como propôs Jean Piaget, assim como Vygotsky e todos outros com suas teorias sobre educação, principalmente ligadas à construção baseada na interação de quem aprende com o que se é aprendido.

Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis em 14.10.2010

O mal da humanidade

(Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora)

A humanidade, o conjunto de homens, existe porque há a necessidade da vida. Existe nas relações dentro da necessidade de manutenção da sua própria existência e da existência de outras espécies em total dependência. Essas relações acontecem de acordo com as disposições de cada ser sobre aquilo que se busca. Por isso, os homens se relacionam da forma como melhor sabem fazer. E, é justamente sobre essa forma de se relacionar com o Outro, que Freud afirmou ser o mal da humanidade, a falta de afeto.
Em suas teorias psicanalíticas ele mostra que transferimos às relações nossos desejos. Buscamos o Outro e, no Outro, aquilo que precisamos para dar sentido e consagrar a nossa existência. Desde que somos concebidos existimos num meio social no qual nos constituímos sujeitos, e recebemos o que esse meio pode nos fornecer, crescendo assim, de acordo com essa estruturação física, psíquica e social.
Apreendemos o mundo através da nossa família e nos baseamos no contato com eles, como o exemplo de criança, jovens e adultos que seremos na vida. Por isso, pensar na colocação de Freud sobre o afeto é ir ao encontro de questões sobre as relações humanas serem boas ou ruins, complicadas ou saudáveis, e assim como cada um caracteriza a convivência com o Outro.
Dentro dessa perspectiva, vale o questionamento sobre como conduzimos a nossa vida. Temos afeto com aqueles que fazem parte da nossa caminhada? O que é ser afetuoso e transformar assim as nossas relações sociais?
O afeto é algo tão nobre quando se tem na mente o desejo de querer o bem e estar bem. Não é fácil, principalmente quando se cresce em um ambiente tão hostil sem qualquer palavra, gesto ou atitude que signifique confiança, apoio, respeito, enfim, o que representa o gostar, o querer estar próximo, o perceber a outra pessoa nas suas características e possibilidades.
Na perspectiva freudiana sobre esse assunto, a primeira relação, mais importante na vida de qualquer pessoa, é com a mãe. A pessoa que desde o início fornece e dá sustento à primeira necessidade que é a vida. Quando nasce, a forma como é amamentada e assim, desenvolve-se recebendo os cuidados com higiene, acalentada quando sente frio, dor, desamparo, cresce e assim, recebe afeto das pessoas da família como propôs Freud (1974) com a “Teoria da Transferência”, “as crianças até os seis anos de idade firmaram-se nas suas relações com as pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto, achando-se mais ligada pelos pais, irmãs e irmãos. Um rapazinho está fadado a amar e a admirar o pai, que lhe parece ser a mais poderosa, bondosa e sábia criatura do mundo. Na segunda metade da infância, dá-se uma mudança na relação do menino com o pai – mudança cuja importância não pode ser exagerada. Descobre que o pai não é mais o poderoso, o sábio e rico dos seres; É nessa fase do desenvolvimento de um jovem que ele entra em contato com os professores, de maneira que agora podemos entender a nossa relação com eles. Transferimos para eles o respeito e as expectativas ligadas ao pai onisciente de nossa infância e depois começamos a tratá-los como tratávamos nossos pais em casa”.
Não só trataremos assim os professores, mas todas as outras pessoas e dessa forma, nos relacionaremos com o mundo. No livro “Mulheres que amam demais”, Robin Norwood coloca essa questão da seguinte forma: “existem vários tipos de famílias desajustadas, como famílias de alcoólatras, famílias violentas ou incestuosas, mas todas apresentam um efeito comum em crianças que nelas crescem: são crianças prejudicadas, até certo ponto, em sua capacidade de sentir e relacionar-se. Muitas vezes nos surpreendemos fazendo coisas que nossos pais faziam, as mesmas atitudes que prometemos a nós mesmos nunca ter. Isso ocorre porque aprendemos através de suas atitudes e até de seus sentimentos, o que é ser homem ou mulher”.
Sendo assim, ser afetuoso todo dia. Entender que não se pode mudar o passado, mas o futuro precisa ser diferente e temos condições de iniciar essa mudança hoje, no presente das nossas relações, construindo relacionamentos mais afetuosos, com mais demonstração de carinho, confiança, respeito, gestos que dão validade ao que o Outro nos mostra. Por vezes, temos perto de nós situações que realmente não precisariam acontecer então, sendo afetuosos com nossas próprias necessidades, respeitando as escolhas que formam nossa vida, saibamos transformar o mundo, que nos cerca e do qual somos tão dependentes, em um lugar mais pacífico e harmonioso.

Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 4/10/10

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quem são os políticos?
Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).

Candidatos ao cargo público, homens comuns, formados na cidadania como a população, mas interessados em representar a mesma, sendo que, de acordo com o relacionamento que mantêm com as suas convicções e estrutura de vida. “Tenho 30 anos e estou iniciando a minha carreira política, se eu não me comprometer com isso...”, essa afirmação é de um candidato, em uma conversa informal durante uma manifestação de campanha.
Um político como os outros que pretende dar significado à sua vida política e que precisa da confiança do eleitor, para alcançar seu objetivo. Não venho, por meio deste, defendê-lo por causa de uma simples declaração, mas pensar na questão do que é mais importante quando nos relacionamos com as causas públicas. Para isso, as idéias de Nietzsche em “Assim falou Zaratustra” fundamentarão este artigo.
“Deve construir algo que lhe seja superior. Antes de tudo, porém, é necessário que se construa a si mesmo”, essa afirmação de Nietzsche explica que para que haja o entendimento das necessidades alheias, precisamos estar em primeiro lugar, conscientes das nossas questões. Assim conseguiremos ter atitudes que num primeiro momento representam desejo individual de crescimento mas que, transformam a realidade na qual os gestos estão acontecendo.
É assim que deveriam ser construídas as relações humanas, com comprometimento. Comprometimento com as questões particulares e, principalmente com as questões sociais. Um político que entende a sua carreira como degrau para construir a si próprio, deveria pensar mais claramente que para ter êxito precisa de uma boa representação. Voltemos a Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Quando os homens conseguem entender que a cada minuto é tempo para uma atitude positiva em relação às condições necessárias à vida, eles estão indo de encontro ao que há de mais nobre na manutenção da existência, a busca e a interação com o Outro. ”Em você também ainda há de ressoar a voz da multidão. E você pertenceu à multidão durante muito tempo. Pode proporcionar a você mesmo seu bem e seu mal e retardar a sua vontade por cima de você como uma lei? Pode ser o seu próprio juiz e vingador da sua lei?. O pior inimigo, todavia, que pode encontrar , é você mesmo.”, assim Nietzsche continua a ensinar.
Dessa forma, ao nos comprometermos com as causas políticas, cidadãos e políticos, que somos, estamos nos relacionando em primeiro lugar com as nossas causas, e assim, diante de uma consciência de cidadania, mas acima de tudo, de amor e respeito ao próximo, transformamos a nós mesmos. “É necessário aprender a amar-se a si próprio com amor sadio, a fim de aprender a suportar-se a si mesmo. E não é um mandamento para hoje nem para amanhã este de aprender a amar-se a si mesmo. É, pelo contrário, a mais delicada, a mais apurada, a última e a mais paciente de todas as artes”, Nietzsche.
Por isso, a causa pública deve ser olhada com o mesmo comprometimento com o qual mantemos a nossa vida. Sejamos nossos melhores amigos, juízes, e assim, construtores sábios da nossa própria existência. Saibamos amar as causas sociais com o amor com que amamos a nós mesmos. E, então, conseguiremos com que o mundo seja um lugar acolhedor pois seremos cidadãos mais criativos na interação com as questões comuns, justamente por desejarmos atuar e representar nosso melhor papel a fim de que a platéia nos aplauda e quem sabe, continue aplaudindo para que estejamos novamente em cena.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 2/09/2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Agredir significa: perda de conexão.
(Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).

Bater, agredir, dar palmada ou pancadas, ou seja, nesse caso, qualquer atitude que sirva como pretexto na educação do Outro, seja ele, uma criança, um jovem ou um adulto, é uma atividade que representa nada mais do que a falta de condições do agressor em resolver conflitos ou mesmo se relacionar com aquele para quem deveria ser direcionado o respeito e afeto.
Por isso, essa questão sobre a lei que proíbe a palmada no caso das crianças, levanta muitos questionamentos sobre o que é mais importante quando se educa. Do que precisa o Outro para ser educado?
Para Freud, psicanalista, o mal da humanidade está na falta de afeto. Sendo assim, que tipo de afeto existe em uma agressão? Como justificar que para que exista a obediência, seja necessário machucar o Outro, esse que pode ser uma criança ou um adolescente, e essa questão se estende a todo tipo de agressão quando esta ocorre sempre que há uma divergência de opiniões, em que o agressor sempre se considera a parte mais forte.
Para Willian e Martha Sears em “Crianças bem resolvidas”, a autoridade tem que ser conquistada, mesmo quando você é um adulto feito e seu filho um recém-nascido de quatro quilos. As crianças não pensam como adultos. Seu método de criação vai ser mais tranqüilo se você aprender a tolerar comportamentos que acompanham a idade e o estágio de uma criança. A criação por apego ensina seus filhos a respeitar você porque você conhece as necessidades deles e os respeita”.
Quando um pai conhece o filho que tem, pois desde que esse é concebido, é visto como um ser que necessita do adulto para crescer e constituir-se como ser humano, ama a sua missão de educador e consegue com que, sentindo-se aceito e amparado essa criança, esteja conectada às regras e obediência baseada no entendimento das questões que são necessárias. No livro “O pequeno príncipe” de Saint-Exupéry, o general coloca o seguinte: “é preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis”.
A razão. Nada mais do que a razão. Uma criança, um ser que precisa ser educado entende o que precisa ser feito se as ordens são claras e objetivas. “Quando você corrige o comportamento errado de seu filho, seu objetivo deve ser faze-lo se dar conta do que faz de errado, e o que deve fazer para retificá-lo. Não o deixe arrasado, faça-o saber que você sabe que ele é capaz de fazer melhor – e, então, ajude-o a não cometer o mesmo erro novamente”, explicam William e Martha Sears.
No caso daquelas palmadinhas na mão quando a criança usou a mesma para pegar ou tocar algo que não deveria, é preciso lembrar que crianças constroem sua aprendizagem de uma forma mais bem estruturada quando experimentam aquilo que precisam e, tocando o objeto que querem conhecer, elas estão assim, descobrindo texturas, formas, enfim, conhecendo o que se quer conhecer. Ora, uma criança está em fase de desenvolvimento e não tem capacidade para distinguir o que deve ou não ser tocado, a não ser que o adulto responsável pela sua educação lhe ensine, mas agredir por experimentar é tirar de um ser, em formação, a vontade de conhecer e explorar coisas novas na vida, pois este temerá sentir sempre a mesma dor; é transmitir-lhe assim, a ideia de que construir a sua vida e existência é algo muito perigoso e pode ser extremamente doloroso;
No livro “Nunca desista dos seus sonhos”, Augusto Cury coloca que “Epicuro acreditava ‘que os grandes navegadores deviam sua reputação aos temporais e às tempestades”. Grandes navegadores, grandes escritores, grandes sonhadores, grandes naquilo que escolherem, enfim, grandes seres humanos que acreditam em suas próprias capacidades e vêem a vida como um lugar acolhedor e possível de ser experimentado.
Dessa forma, quando amamos nossas crianças e transmitimos, à elas, disciplina com amor por desejarmos que sejam adultos muito bem-sucedidos, corajosos, determinados, felizes, capazes de caminhar mesmo que, vivendo a vida com obstáculos, estamos deixando a mais rica herança.

Artigo publicado no Diário de Petrópolis – 24/08/2010.