(Gabriela P.B. Fernandes – educadora)
O Dia Internacional da Mulher é uma ótima oportunidade para lembrarmos do valor do trabalho que nós, professoras, educadoras do mundo, desenvolvemos diariamente no exercício da nossa profissão. É algo tão grandioso que, desde que feito com o real comprometimento assumido no juramento no dia da formatura do magistério, valeria o melhor salário que o sistema deveria pagar. Mas que na verdade, não há salário que pague o aprendizado adquirido com a interação num ambiente escolar.
Uma nova escola, uma nova turma, novos olhares, novas famílias, novas questões. É assim. Quando entramos em uma nova sala, o planejamento é sempre diferente, pois os alunos são outros, é uma realidade nova. Adaptamos nossa característica profissional às necessidades da nossa turma. É a nossa turma, aquela com a qual caminharemos por um ano letivo e pela qual temos o comprometimento com o conteúdo didático a ser construído. É a nossa turma, que se mostra aos poucos. São alunos. Meninos e meninas, crianças, adolescentes, adultos, cada um com sua questão, cada um com sua busca. Uns mais tranqüilos, outros mais ansiosos. Uns mais organizados, outros que, misteriosamente, sempre perdem o lápis e a borracha que você empresta. Mas a realidade de um ambiente escolar é muito flexível. Não existe a sala de aula perfeita, pois não existe a estrutura familiar perfeita. Há diferenças sim, cada comunidade tem sua característica. E uma boa educadora, é aquela que sabe se adaptar a essa condição.
A educadora, a unidade escolar e a comunidade só constroem uma educação de qualidade se caminharem juntas o caminho da educação. Um portão aberto que se fecha na hora certa colocando o limite que situa. Assim, há uma diferença muito grande entre a equipe pedagógica que, conhecendo a sua realidade social, recebe uma nova professora e coloca que um aluno precisa de limites e um posicionamento exigente, mas de afeto pois vive num mundo muito carente; e, aquela que diz que não se estabelece relação afetiva com aluno para que não haja perda de controle.
Ora, estar em uma escola, é olhar vários rostos e saber ver através dele. Entender que se o seu aluno tirou o sapato, ou melhor, a bota de plástico dentro de sala é, dando a chance dele se explicar, escutar que, estando sem meia, o pé estava queimando num dia mais quente; saber que uma touca que não pode ser tirada, pode estar escondendo uma infestação de bichos berne na cabeça de uma criança. Essa é a realidade da nossa educação. A realidade para qual uma educadora deveria estar muito bem preparada. Como construir a aprendizagem se a cabeça ou o pé queimam, se o estômago dói, se o cheiro de xixi na própria roupa é tão forte que incomoda os colegas e isso gera comentários? Fora o ambiente familiar, a estrutura fora da escola, a convivência em casa, o ambiente, enfim, a realidade desse aluno. É triste, pensarmos que planejamos todo nosso trabalho esperando resultados positivos mas que nos deparamos com obstáculos tão grotescos que nunca desejaríamos escutar. No entanto, a tristeza existe exatamente pelo desejo de que nossos alunos sejam muito mais do que aquilo que a realidade lhes impõe. E justamente aí entra o nosso valor como educadoras. O olhar feminino, aquele que acolhe com carinho, aquele que olha com afeto essas questões. O caminho que construímos com a caminhada. Essas pedras que retiramos e que passamos a conhecer, nas quais não podemos pisar. Um portão aberto a esses alunos, a suas mães e familiares.
Cada comunidade com sua característica. Uma que leva suas crianças à unidade alcoolizada e assim as sustenta em casa, para enganar a fome. Outras que mesmo carentes participam da unidade escolar por essa estar sempre com os portões abertos receptivos à ela. Outra que evade da escola por não receber o limite que situa nem a atenção que precisa para construir sua identidade como comunidade.
Sendo assim, qual é o nosso real juramento como educadoras? Devemos ter tantos limites afetivos no contato com nossos alunos ou nos abaixar a sua altura para olhar em seus olhos a fim de conhecer seu verdadeiro rosto?
Educar é uma tarefa nobre! Merecia, sim, ser a profissão mais valorizada. Merecia, sim, o melhor salário. Mas, merece muito mais do que isso. Merece as nossas mãos. Merece saber dizer a um aluno que existe uma troca satisfatória de aprendizado com o conhecimento que adquirimos com ele. Merece das nossas mãos os melhores gestos. Merece das mãos de quem tem o poder de um sistema, o melhor olhar. O olhar que enxerga a profissão e o local de trabalho como a base da estruturação social de um mundo. Existe um mundo tão vasto no universo escolar!
Dessa forma, sejamos educadoras com olhar! Com amor, com afeto, com limites e, acima de tudo, com compromisso ao que fazemos. Mulheres dotadas de emoção. Mulheres que são gente! Mulheres que dão à vida novas vidas e que com esse olhar saibam ver os filhos gerados por outras mulheres como nossos, assim como sabendo dos próprios limites, sejam capazes de exercer o que Jesus nos pediu: “amar ao próximo como a si mesmo”.
terça-feira, 8 de março de 2011
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Viva! À Escola São Judas Tadeu.
Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
“Ora, é lógico... numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.” (Paulo Freire). Exatamente assim é a escola citada no título. É sobre a educação construída no bairro Mosela, pelos alunos e toda equipe que compõe essa unidade da rede pública de ensino, que as palavras tomarão sentido neste artigo.
A escola São Judas Tadeu é uma escola, como definiu a diretora, Mônica Chung, que estará sempre com as portas abertas à toda contribuição positiva que vier da comunidade. Não só da comunidade, mas de toda equipe. Além das disciplinas como português, matemática, ... , há o desenvolvimento de atividades como aula de xadrez e música, sala de leitura e biblioteca. Atividades que enriquecem e muito o desempenho dos alunos.
Essas atividades são oferecidas e desenvolvidas pelos profissionais formadores da escola que acreditam que transformam vidas e gerações. Transformam pois estimulam o organismo de um aluno como um todo. Transformam pois cada aluno tem suas características e essas atividades proporcionam o desenvolvimento de diferentes áreas do cérebro, assim como amplia o conhecimento dos alunos em relação à sua própria existência. Saber ler bem e assim construir bons textos, além de formar opiniões; desenvolver o gosto pela música, e até mesmo, decidir se gosta ou não de cantar e participar do coral; assim como o xadrez que proporciona a concentração, estimula o raciocínio. Tudo isso, transforma pois quando se entra na escola, é fácil perceber o comprometimento com a causa escolar e a responsabilidade com o que se prega.
Dessa forma, é essa escola. As portas abertas que nos convidam a entrar pois sabemos que lá dentro existe o que buscamos para construção de nossa própria existência, pois se mantém viva, a crença que há possibilidade de crescimento com a interação simplesmente por estar lá, por fazer parte do grupo, por interagir no meio escolar. “Sendo assim: educar-se na escola! Obter conhecimento na escola! Crescer na escola! Ser formado na verdadeira cidadania.”(Paulo Freire).
Por isso, no dia 21 de setembro deste ano, a escola deu início à mais uma atividade. Complementou seu compromisso com a educação, com aulas de reforço escolar gratuitas aos alunos. Neste ano, refiz à Mônica, uma oferta antiga de trabalhar voluntariamente com reforço escolar. Esse trabalho era desenvolvido na comunidade do Quarteirão Brasileiro, principalmente aos alunos da Escola Paroquial Nossa Senhora das Graças, no salão paroquial, cedido pela igreja. Havia uma parceria com as professoras e a escola para que houvesse a assistência aos alunos, inclusive com o fornecimento de datas, conteúdos e questões relacionadas à aprendizagem. No entanto, em fevereiro deste ano, a comunidade, alegando serem necessárias obras no salão, não permitiu mais as aulas. E, assim, perdeu um trabalho que acrescentava demais à construção da aprendizagem, pois o reforço escolar era feito através da fixação das disciplinas e de atividades lúdicas como jogos e passatempos.
Então, há quase 3 meses, iniciamos na Mosela, uma parceria com o trabalho voluntário de reforço escolar aos alunos. Essa atividade é desenvolvida no salão da igreja, até que, como disse a diretora, haja uma sala disponível só para essas aulas. Mesmo assim, há condições de atender aos alunos no espaço cedido. Quando essa idéia surgiu, a escola se organizou, a equipe pedagógica, através do contato com professores e responsáveis, formou os grupos para os dois turnos, com o apoio de outra professora, buscando atender aqueles que mais precisavam e dessa forma, em quatro dias de aulas por semana, a melhora na construção da aprendizagem pelos alunos assistidos, já foi percebida.
Não que não existam questões, que exigem mais atenção, como em outras escolas, mas quando se transmite limite, há confiança de que há preocupação. De que há um olhar que se importa, que quer ver um sorriso onde há tristeza, solidão, desamparo; onde há necessidades. Necessidades como de um dos alunos que chegou à aula de reforço com dificuldades em matemática e que transmitiu naquela primeira aula o quanto precisava apenas ser atendido. Apenas ter um olhar voltado a ele mesmo que por instantes em que uma hora é dividida por mais alunos também com dificuldades. E, então, nesses três meses, construindo a confiança que lhe é precisa para operar a tabuada e assim, o conhecimento necessário para efetuar as contas de matemáticas, já caminha sozinho, apesar de ainda tropeçar em algumas pedras do caminho, e em outras apenas para que lhe seja estendida a mão no afeto que precisa para se levantar com a segurança de que não existe solitário nesse mundo, mas existe sim, na sua particularidade como ser humano.
Dessa forma, cada dia é um dia de valiosa importância na vida de cada ser humano, principalmente, de nossos alunos. É com a consciência voltada na influencia mais que positiva exercida por todas as atividades desenvolvidas, que a Escola São Judas Tadeu existe e cresce cada vez mais pois se acredita parte integrante fundamental na construção da existência humana.
Sejamos sempre, assim, profissionais comprometidos com a causa da educação, mantendo abertas as portas pelas quais passam nossos alunos esperando ser recebidos pelo conhecimento que lhes influencia e dá sentido a si como ser vivo e humano, e parte integrante fundamental à vida.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 18/11/2010
“Ora, é lógico... numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.” (Paulo Freire). Exatamente assim é a escola citada no título. É sobre a educação construída no bairro Mosela, pelos alunos e toda equipe que compõe essa unidade da rede pública de ensino, que as palavras tomarão sentido neste artigo.
A escola São Judas Tadeu é uma escola, como definiu a diretora, Mônica Chung, que estará sempre com as portas abertas à toda contribuição positiva que vier da comunidade. Não só da comunidade, mas de toda equipe. Além das disciplinas como português, matemática, ... , há o desenvolvimento de atividades como aula de xadrez e música, sala de leitura e biblioteca. Atividades que enriquecem e muito o desempenho dos alunos.
Essas atividades são oferecidas e desenvolvidas pelos profissionais formadores da escola que acreditam que transformam vidas e gerações. Transformam pois estimulam o organismo de um aluno como um todo. Transformam pois cada aluno tem suas características e essas atividades proporcionam o desenvolvimento de diferentes áreas do cérebro, assim como amplia o conhecimento dos alunos em relação à sua própria existência. Saber ler bem e assim construir bons textos, além de formar opiniões; desenvolver o gosto pela música, e até mesmo, decidir se gosta ou não de cantar e participar do coral; assim como o xadrez que proporciona a concentração, estimula o raciocínio. Tudo isso, transforma pois quando se entra na escola, é fácil perceber o comprometimento com a causa escolar e a responsabilidade com o que se prega.
Dessa forma, é essa escola. As portas abertas que nos convidam a entrar pois sabemos que lá dentro existe o que buscamos para construção de nossa própria existência, pois se mantém viva, a crença que há possibilidade de crescimento com a interação simplesmente por estar lá, por fazer parte do grupo, por interagir no meio escolar. “Sendo assim: educar-se na escola! Obter conhecimento na escola! Crescer na escola! Ser formado na verdadeira cidadania.”(Paulo Freire).
Por isso, no dia 21 de setembro deste ano, a escola deu início à mais uma atividade. Complementou seu compromisso com a educação, com aulas de reforço escolar gratuitas aos alunos. Neste ano, refiz à Mônica, uma oferta antiga de trabalhar voluntariamente com reforço escolar. Esse trabalho era desenvolvido na comunidade do Quarteirão Brasileiro, principalmente aos alunos da Escola Paroquial Nossa Senhora das Graças, no salão paroquial, cedido pela igreja. Havia uma parceria com as professoras e a escola para que houvesse a assistência aos alunos, inclusive com o fornecimento de datas, conteúdos e questões relacionadas à aprendizagem. No entanto, em fevereiro deste ano, a comunidade, alegando serem necessárias obras no salão, não permitiu mais as aulas. E, assim, perdeu um trabalho que acrescentava demais à construção da aprendizagem, pois o reforço escolar era feito através da fixação das disciplinas e de atividades lúdicas como jogos e passatempos.
Então, há quase 3 meses, iniciamos na Mosela, uma parceria com o trabalho voluntário de reforço escolar aos alunos. Essa atividade é desenvolvida no salão da igreja, até que, como disse a diretora, haja uma sala disponível só para essas aulas. Mesmo assim, há condições de atender aos alunos no espaço cedido. Quando essa idéia surgiu, a escola se organizou, a equipe pedagógica, através do contato com professores e responsáveis, formou os grupos para os dois turnos, com o apoio de outra professora, buscando atender aqueles que mais precisavam e dessa forma, em quatro dias de aulas por semana, a melhora na construção da aprendizagem pelos alunos assistidos, já foi percebida.
Não que não existam questões, que exigem mais atenção, como em outras escolas, mas quando se transmite limite, há confiança de que há preocupação. De que há um olhar que se importa, que quer ver um sorriso onde há tristeza, solidão, desamparo; onde há necessidades. Necessidades como de um dos alunos que chegou à aula de reforço com dificuldades em matemática e que transmitiu naquela primeira aula o quanto precisava apenas ser atendido. Apenas ter um olhar voltado a ele mesmo que por instantes em que uma hora é dividida por mais alunos também com dificuldades. E, então, nesses três meses, construindo a confiança que lhe é precisa para operar a tabuada e assim, o conhecimento necessário para efetuar as contas de matemáticas, já caminha sozinho, apesar de ainda tropeçar em algumas pedras do caminho, e em outras apenas para que lhe seja estendida a mão no afeto que precisa para se levantar com a segurança de que não existe solitário nesse mundo, mas existe sim, na sua particularidade como ser humano.
Dessa forma, cada dia é um dia de valiosa importância na vida de cada ser humano, principalmente, de nossos alunos. É com a consciência voltada na influencia mais que positiva exercida por todas as atividades desenvolvidas, que a Escola São Judas Tadeu existe e cresce cada vez mais pois se acredita parte integrante fundamental na construção da existência humana.
Sejamos sempre, assim, profissionais comprometidos com a causa da educação, mantendo abertas as portas pelas quais passam nossos alunos esperando ser recebidos pelo conhecimento que lhes influencia e dá sentido a si como ser vivo e humano, e parte integrante fundamental à vida.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 18/11/2010
domingo, 17 de outubro de 2010
A política como circo
Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
As eleições vão ao encontro do que o povo escolhe. Escolhas que são de extrema importância para o futuro de uma nação e que refletem exatamente como o povo pensa e vê a causa pública. Justamente por isso é que elegeu o palhaço Tiririca para representá-lo. Infelizmente elege-lo pode significar exatamente como o povo vê a política no nosso país, talvez como um grande circo.
Um circo no qual o povo, como público, assiste aos espetáculos dos atores principais, os políticos, como uma verdadeira comédia em que não existe nenhuma verdade no que se faz. No entanto, esse grande espetáculo político, que acontece no nosso país, em nenhum momento foi representado por cidadãos vestidos como palhaço e usando nariz de palhaço. Por isso, eleger o candidato Tiririca talvez tenha sido a forma escolhida, pelo povo, para caracterizar verdadeiramente a política que acontece diante dos nossos olhos.
Essa política que muitas vezes nos aparece totalmente descomprometida com a causa pública. Os números que elegeram esse candidato, que pode ser cassado por ser analfabeto, refletem que, o povo, mesmo assistindo à sua propaganda eleitoral, em que ele foi questionado sobre o que faz um deputado e respondeu que quando chegasse lá, descobriria, pode ter acreditado nessa fala como uma verdadeira piada de palhaço num espetáculo do circo.
Sendo assim, quem está mais descomprometido com a causa pública? Um candidato, que para representar o povo, o faz como palhaço; o povo que não discerne sobre quem vai representa-lo, ou os políticos atuantes que representam o país e permitem os grandes espetáculos escandalosos com a imagem pública e, com isso, influenciam o povo a não acreditar mais na política como algo extremamente importante à construção da cidadania e assim, manutenção da vida?
Pensar na eleição, usando como exemplo o candidato citado acima, é ir ao encontro do que aconteceu aqui em Petrópolis, em que candidatos muitas vezes já eleitos em nossa cidade não tiveram votos satisfatórios, pois talvez já estejam fora do alcance do que o povo precisa. Isso nos leva ao questionamento sobre o que se faz com a causa pública. Qual a imagem que se quer formar? Para o filósofo Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Por isso, é pertinente a necessidade dessa representação pública, ser sim, verdadeira. Ir ao encontro do que o povo necessita. Quando um candidato se preocupa com a sua imagem no sentido de construí-la a fim de que transmita ao Outro, confiança de que será capaz de proporcionar uma interação que vai ao encontro das necessidades, está apto a si aprimorar muito no verdadeiro sentido da política.
Sendo assim, candidatos como Tiririca que precisam de personagens para dar vida à sua carreira pública e política no país, representando o povo, teriam uma interação melhor se usassem como tema principal de seu espetáculo, o que vai ao encontro do que o povo precisa, pois assim, tornariam o grande palco de circo em que se transformou, infelizmente, a política brasileira, num grande espetáculo.
Dessa forma, sejamos todos, políticos verdadeiros na representação da vida, a fim de que o espetáculo seja muito bem representado e aceito pela platéia que o assiste, pois tudo aquilo que é bem construído, com bases fortes e seguras, tende a estar firme no maior propósito que é a vida. Piadas são facilmente esquecidas pois num primeiro momento podem ir ao encontro de questões pertinentes ao cotidiano, no entanto, não se encontram com o que se precisa. O que se fixa no cérebro humano, é o conhecimento que desestrutura para estruturar o que precisa ser apreendido, como propôs Jean Piaget, assim como Vygotsky e todos outros com suas teorias sobre educação, principalmente ligadas à construção baseada na interação de quem aprende com o que se é aprendido.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis em 14.10.2010
As eleições vão ao encontro do que o povo escolhe. Escolhas que são de extrema importância para o futuro de uma nação e que refletem exatamente como o povo pensa e vê a causa pública. Justamente por isso é que elegeu o palhaço Tiririca para representá-lo. Infelizmente elege-lo pode significar exatamente como o povo vê a política no nosso país, talvez como um grande circo.
Um circo no qual o povo, como público, assiste aos espetáculos dos atores principais, os políticos, como uma verdadeira comédia em que não existe nenhuma verdade no que se faz. No entanto, esse grande espetáculo político, que acontece no nosso país, em nenhum momento foi representado por cidadãos vestidos como palhaço e usando nariz de palhaço. Por isso, eleger o candidato Tiririca talvez tenha sido a forma escolhida, pelo povo, para caracterizar verdadeiramente a política que acontece diante dos nossos olhos.
Essa política que muitas vezes nos aparece totalmente descomprometida com a causa pública. Os números que elegeram esse candidato, que pode ser cassado por ser analfabeto, refletem que, o povo, mesmo assistindo à sua propaganda eleitoral, em que ele foi questionado sobre o que faz um deputado e respondeu que quando chegasse lá, descobriria, pode ter acreditado nessa fala como uma verdadeira piada de palhaço num espetáculo do circo.
Sendo assim, quem está mais descomprometido com a causa pública? Um candidato, que para representar o povo, o faz como palhaço; o povo que não discerne sobre quem vai representa-lo, ou os políticos atuantes que representam o país e permitem os grandes espetáculos escandalosos com a imagem pública e, com isso, influenciam o povo a não acreditar mais na política como algo extremamente importante à construção da cidadania e assim, manutenção da vida?
Pensar na eleição, usando como exemplo o candidato citado acima, é ir ao encontro do que aconteceu aqui em Petrópolis, em que candidatos muitas vezes já eleitos em nossa cidade não tiveram votos satisfatórios, pois talvez já estejam fora do alcance do que o povo precisa. Isso nos leva ao questionamento sobre o que se faz com a causa pública. Qual a imagem que se quer formar? Para o filósofo Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Por isso, é pertinente a necessidade dessa representação pública, ser sim, verdadeira. Ir ao encontro do que o povo necessita. Quando um candidato se preocupa com a sua imagem no sentido de construí-la a fim de que transmita ao Outro, confiança de que será capaz de proporcionar uma interação que vai ao encontro das necessidades, está apto a si aprimorar muito no verdadeiro sentido da política.
Sendo assim, candidatos como Tiririca que precisam de personagens para dar vida à sua carreira pública e política no país, representando o povo, teriam uma interação melhor se usassem como tema principal de seu espetáculo, o que vai ao encontro do que o povo precisa, pois assim, tornariam o grande palco de circo em que se transformou, infelizmente, a política brasileira, num grande espetáculo.
Dessa forma, sejamos todos, políticos verdadeiros na representação da vida, a fim de que o espetáculo seja muito bem representado e aceito pela platéia que o assiste, pois tudo aquilo que é bem construído, com bases fortes e seguras, tende a estar firme no maior propósito que é a vida. Piadas são facilmente esquecidas pois num primeiro momento podem ir ao encontro de questões pertinentes ao cotidiano, no entanto, não se encontram com o que se precisa. O que se fixa no cérebro humano, é o conhecimento que desestrutura para estruturar o que precisa ser apreendido, como propôs Jean Piaget, assim como Vygotsky e todos outros com suas teorias sobre educação, principalmente ligadas à construção baseada na interação de quem aprende com o que se é aprendido.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis em 14.10.2010
O mal da humanidade
(Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora)
A humanidade, o conjunto de homens, existe porque há a necessidade da vida. Existe nas relações dentro da necessidade de manutenção da sua própria existência e da existência de outras espécies em total dependência. Essas relações acontecem de acordo com as disposições de cada ser sobre aquilo que se busca. Por isso, os homens se relacionam da forma como melhor sabem fazer. E, é justamente sobre essa forma de se relacionar com o Outro, que Freud afirmou ser o mal da humanidade, a falta de afeto.
Em suas teorias psicanalíticas ele mostra que transferimos às relações nossos desejos. Buscamos o Outro e, no Outro, aquilo que precisamos para dar sentido e consagrar a nossa existência. Desde que somos concebidos existimos num meio social no qual nos constituímos sujeitos, e recebemos o que esse meio pode nos fornecer, crescendo assim, de acordo com essa estruturação física, psíquica e social.
Apreendemos o mundo através da nossa família e nos baseamos no contato com eles, como o exemplo de criança, jovens e adultos que seremos na vida. Por isso, pensar na colocação de Freud sobre o afeto é ir ao encontro de questões sobre as relações humanas serem boas ou ruins, complicadas ou saudáveis, e assim como cada um caracteriza a convivência com o Outro.
Dentro dessa perspectiva, vale o questionamento sobre como conduzimos a nossa vida. Temos afeto com aqueles que fazem parte da nossa caminhada? O que é ser afetuoso e transformar assim as nossas relações sociais?
O afeto é algo tão nobre quando se tem na mente o desejo de querer o bem e estar bem. Não é fácil, principalmente quando se cresce em um ambiente tão hostil sem qualquer palavra, gesto ou atitude que signifique confiança, apoio, respeito, enfim, o que representa o gostar, o querer estar próximo, o perceber a outra pessoa nas suas características e possibilidades.
Na perspectiva freudiana sobre esse assunto, a primeira relação, mais importante na vida de qualquer pessoa, é com a mãe. A pessoa que desde o início fornece e dá sustento à primeira necessidade que é a vida. Quando nasce, a forma como é amamentada e assim, desenvolve-se recebendo os cuidados com higiene, acalentada quando sente frio, dor, desamparo, cresce e assim, recebe afeto das pessoas da família como propôs Freud (1974) com a “Teoria da Transferência”, “as crianças até os seis anos de idade firmaram-se nas suas relações com as pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto, achando-se mais ligada pelos pais, irmãs e irmãos. Um rapazinho está fadado a amar e a admirar o pai, que lhe parece ser a mais poderosa, bondosa e sábia criatura do mundo. Na segunda metade da infância, dá-se uma mudança na relação do menino com o pai – mudança cuja importância não pode ser exagerada. Descobre que o pai não é mais o poderoso, o sábio e rico dos seres; É nessa fase do desenvolvimento de um jovem que ele entra em contato com os professores, de maneira que agora podemos entender a nossa relação com eles. Transferimos para eles o respeito e as expectativas ligadas ao pai onisciente de nossa infância e depois começamos a tratá-los como tratávamos nossos pais em casa”.
Não só trataremos assim os professores, mas todas as outras pessoas e dessa forma, nos relacionaremos com o mundo. No livro “Mulheres que amam demais”, Robin Norwood coloca essa questão da seguinte forma: “existem vários tipos de famílias desajustadas, como famílias de alcoólatras, famílias violentas ou incestuosas, mas todas apresentam um efeito comum em crianças que nelas crescem: são crianças prejudicadas, até certo ponto, em sua capacidade de sentir e relacionar-se. Muitas vezes nos surpreendemos fazendo coisas que nossos pais faziam, as mesmas atitudes que prometemos a nós mesmos nunca ter. Isso ocorre porque aprendemos através de suas atitudes e até de seus sentimentos, o que é ser homem ou mulher”.
Sendo assim, ser afetuoso todo dia. Entender que não se pode mudar o passado, mas o futuro precisa ser diferente e temos condições de iniciar essa mudança hoje, no presente das nossas relações, construindo relacionamentos mais afetuosos, com mais demonstração de carinho, confiança, respeito, gestos que dão validade ao que o Outro nos mostra. Por vezes, temos perto de nós situações que realmente não precisariam acontecer então, sendo afetuosos com nossas próprias necessidades, respeitando as escolhas que formam nossa vida, saibamos transformar o mundo, que nos cerca e do qual somos tão dependentes, em um lugar mais pacífico e harmonioso.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 4/10/10
A humanidade, o conjunto de homens, existe porque há a necessidade da vida. Existe nas relações dentro da necessidade de manutenção da sua própria existência e da existência de outras espécies em total dependência. Essas relações acontecem de acordo com as disposições de cada ser sobre aquilo que se busca. Por isso, os homens se relacionam da forma como melhor sabem fazer. E, é justamente sobre essa forma de se relacionar com o Outro, que Freud afirmou ser o mal da humanidade, a falta de afeto.
Em suas teorias psicanalíticas ele mostra que transferimos às relações nossos desejos. Buscamos o Outro e, no Outro, aquilo que precisamos para dar sentido e consagrar a nossa existência. Desde que somos concebidos existimos num meio social no qual nos constituímos sujeitos, e recebemos o que esse meio pode nos fornecer, crescendo assim, de acordo com essa estruturação física, psíquica e social.
Apreendemos o mundo através da nossa família e nos baseamos no contato com eles, como o exemplo de criança, jovens e adultos que seremos na vida. Por isso, pensar na colocação de Freud sobre o afeto é ir ao encontro de questões sobre as relações humanas serem boas ou ruins, complicadas ou saudáveis, e assim como cada um caracteriza a convivência com o Outro.
Dentro dessa perspectiva, vale o questionamento sobre como conduzimos a nossa vida. Temos afeto com aqueles que fazem parte da nossa caminhada? O que é ser afetuoso e transformar assim as nossas relações sociais?
O afeto é algo tão nobre quando se tem na mente o desejo de querer o bem e estar bem. Não é fácil, principalmente quando se cresce em um ambiente tão hostil sem qualquer palavra, gesto ou atitude que signifique confiança, apoio, respeito, enfim, o que representa o gostar, o querer estar próximo, o perceber a outra pessoa nas suas características e possibilidades.
Na perspectiva freudiana sobre esse assunto, a primeira relação, mais importante na vida de qualquer pessoa, é com a mãe. A pessoa que desde o início fornece e dá sustento à primeira necessidade que é a vida. Quando nasce, a forma como é amamentada e assim, desenvolve-se recebendo os cuidados com higiene, acalentada quando sente frio, dor, desamparo, cresce e assim, recebe afeto das pessoas da família como propôs Freud (1974) com a “Teoria da Transferência”, “as crianças até os seis anos de idade firmaram-se nas suas relações com as pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto, achando-se mais ligada pelos pais, irmãs e irmãos. Um rapazinho está fadado a amar e a admirar o pai, que lhe parece ser a mais poderosa, bondosa e sábia criatura do mundo. Na segunda metade da infância, dá-se uma mudança na relação do menino com o pai – mudança cuja importância não pode ser exagerada. Descobre que o pai não é mais o poderoso, o sábio e rico dos seres; É nessa fase do desenvolvimento de um jovem que ele entra em contato com os professores, de maneira que agora podemos entender a nossa relação com eles. Transferimos para eles o respeito e as expectativas ligadas ao pai onisciente de nossa infância e depois começamos a tratá-los como tratávamos nossos pais em casa”.
Não só trataremos assim os professores, mas todas as outras pessoas e dessa forma, nos relacionaremos com o mundo. No livro “Mulheres que amam demais”, Robin Norwood coloca essa questão da seguinte forma: “existem vários tipos de famílias desajustadas, como famílias de alcoólatras, famílias violentas ou incestuosas, mas todas apresentam um efeito comum em crianças que nelas crescem: são crianças prejudicadas, até certo ponto, em sua capacidade de sentir e relacionar-se. Muitas vezes nos surpreendemos fazendo coisas que nossos pais faziam, as mesmas atitudes que prometemos a nós mesmos nunca ter. Isso ocorre porque aprendemos através de suas atitudes e até de seus sentimentos, o que é ser homem ou mulher”.
Sendo assim, ser afetuoso todo dia. Entender que não se pode mudar o passado, mas o futuro precisa ser diferente e temos condições de iniciar essa mudança hoje, no presente das nossas relações, construindo relacionamentos mais afetuosos, com mais demonstração de carinho, confiança, respeito, gestos que dão validade ao que o Outro nos mostra. Por vezes, temos perto de nós situações que realmente não precisariam acontecer então, sendo afetuosos com nossas próprias necessidades, respeitando as escolhas que formam nossa vida, saibamos transformar o mundo, que nos cerca e do qual somos tão dependentes, em um lugar mais pacífico e harmonioso.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 4/10/10
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Quem são os políticos?
Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
Candidatos ao cargo público, homens comuns, formados na cidadania como a população, mas interessados em representar a mesma, sendo que, de acordo com o relacionamento que mantêm com as suas convicções e estrutura de vida. “Tenho 30 anos e estou iniciando a minha carreira política, se eu não me comprometer com isso...”, essa afirmação é de um candidato, em uma conversa informal durante uma manifestação de campanha.
Um político como os outros que pretende dar significado à sua vida política e que precisa da confiança do eleitor, para alcançar seu objetivo. Não venho, por meio deste, defendê-lo por causa de uma simples declaração, mas pensar na questão do que é mais importante quando nos relacionamos com as causas públicas. Para isso, as idéias de Nietzsche em “Assim falou Zaratustra” fundamentarão este artigo.
“Deve construir algo que lhe seja superior. Antes de tudo, porém, é necessário que se construa a si mesmo”, essa afirmação de Nietzsche explica que para que haja o entendimento das necessidades alheias, precisamos estar em primeiro lugar, conscientes das nossas questões. Assim conseguiremos ter atitudes que num primeiro momento representam desejo individual de crescimento mas que, transformam a realidade na qual os gestos estão acontecendo.
É assim que deveriam ser construídas as relações humanas, com comprometimento. Comprometimento com as questões particulares e, principalmente com as questões sociais. Um político que entende a sua carreira como degrau para construir a si próprio, deveria pensar mais claramente que para ter êxito precisa de uma boa representação. Voltemos a Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Quando os homens conseguem entender que a cada minuto é tempo para uma atitude positiva em relação às condições necessárias à vida, eles estão indo de encontro ao que há de mais nobre na manutenção da existência, a busca e a interação com o Outro. ”Em você também ainda há de ressoar a voz da multidão. E você pertenceu à multidão durante muito tempo. Pode proporcionar a você mesmo seu bem e seu mal e retardar a sua vontade por cima de você como uma lei? Pode ser o seu próprio juiz e vingador da sua lei?. O pior inimigo, todavia, que pode encontrar , é você mesmo.”, assim Nietzsche continua a ensinar.
Dessa forma, ao nos comprometermos com as causas políticas, cidadãos e políticos, que somos, estamos nos relacionando em primeiro lugar com as nossas causas, e assim, diante de uma consciência de cidadania, mas acima de tudo, de amor e respeito ao próximo, transformamos a nós mesmos. “É necessário aprender a amar-se a si próprio com amor sadio, a fim de aprender a suportar-se a si mesmo. E não é um mandamento para hoje nem para amanhã este de aprender a amar-se a si mesmo. É, pelo contrário, a mais delicada, a mais apurada, a última e a mais paciente de todas as artes”, Nietzsche.
Por isso, a causa pública deve ser olhada com o mesmo comprometimento com o qual mantemos a nossa vida. Sejamos nossos melhores amigos, juízes, e assim, construtores sábios da nossa própria existência. Saibamos amar as causas sociais com o amor com que amamos a nós mesmos. E, então, conseguiremos com que o mundo seja um lugar acolhedor pois seremos cidadãos mais criativos na interação com as questões comuns, justamente por desejarmos atuar e representar nosso melhor papel a fim de que a platéia nos aplauda e quem sabe, continue aplaudindo para que estejamos novamente em cena.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 2/09/2010
Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
Candidatos ao cargo público, homens comuns, formados na cidadania como a população, mas interessados em representar a mesma, sendo que, de acordo com o relacionamento que mantêm com as suas convicções e estrutura de vida. “Tenho 30 anos e estou iniciando a minha carreira política, se eu não me comprometer com isso...”, essa afirmação é de um candidato, em uma conversa informal durante uma manifestação de campanha.
Um político como os outros que pretende dar significado à sua vida política e que precisa da confiança do eleitor, para alcançar seu objetivo. Não venho, por meio deste, defendê-lo por causa de uma simples declaração, mas pensar na questão do que é mais importante quando nos relacionamos com as causas públicas. Para isso, as idéias de Nietzsche em “Assim falou Zaratustra” fundamentarão este artigo.
“Deve construir algo que lhe seja superior. Antes de tudo, porém, é necessário que se construa a si mesmo”, essa afirmação de Nietzsche explica que para que haja o entendimento das necessidades alheias, precisamos estar em primeiro lugar, conscientes das nossas questões. Assim conseguiremos ter atitudes que num primeiro momento representam desejo individual de crescimento mas que, transformam a realidade na qual os gestos estão acontecendo.
É assim que deveriam ser construídas as relações humanas, com comprometimento. Comprometimento com as questões particulares e, principalmente com as questões sociais. Um político que entende a sua carreira como degrau para construir a si próprio, deveria pensar mais claramente que para ter êxito precisa de uma boa representação. Voltemos a Nietzsche, “para o espetáculo da vida entreter, é importante que seja representado. Para isso, são necessários bons atores”. Quando os homens conseguem entender que a cada minuto é tempo para uma atitude positiva em relação às condições necessárias à vida, eles estão indo de encontro ao que há de mais nobre na manutenção da existência, a busca e a interação com o Outro. ”Em você também ainda há de ressoar a voz da multidão. E você pertenceu à multidão durante muito tempo. Pode proporcionar a você mesmo seu bem e seu mal e retardar a sua vontade por cima de você como uma lei? Pode ser o seu próprio juiz e vingador da sua lei?. O pior inimigo, todavia, que pode encontrar , é você mesmo.”, assim Nietzsche continua a ensinar.
Dessa forma, ao nos comprometermos com as causas políticas, cidadãos e políticos, que somos, estamos nos relacionando em primeiro lugar com as nossas causas, e assim, diante de uma consciência de cidadania, mas acima de tudo, de amor e respeito ao próximo, transformamos a nós mesmos. “É necessário aprender a amar-se a si próprio com amor sadio, a fim de aprender a suportar-se a si mesmo. E não é um mandamento para hoje nem para amanhã este de aprender a amar-se a si mesmo. É, pelo contrário, a mais delicada, a mais apurada, a última e a mais paciente de todas as artes”, Nietzsche.
Por isso, a causa pública deve ser olhada com o mesmo comprometimento com o qual mantemos a nossa vida. Sejamos nossos melhores amigos, juízes, e assim, construtores sábios da nossa própria existência. Saibamos amar as causas sociais com o amor com que amamos a nós mesmos. E, então, conseguiremos com que o mundo seja um lugar acolhedor pois seremos cidadãos mais criativos na interação com as questões comuns, justamente por desejarmos atuar e representar nosso melhor papel a fim de que a platéia nos aplauda e quem sabe, continue aplaudindo para que estejamos novamente em cena.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 2/09/2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Agredir significa: perda de conexão.
(Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
Bater, agredir, dar palmada ou pancadas, ou seja, nesse caso, qualquer atitude que sirva como pretexto na educação do Outro, seja ele, uma criança, um jovem ou um adulto, é uma atividade que representa nada mais do que a falta de condições do agressor em resolver conflitos ou mesmo se relacionar com aquele para quem deveria ser direcionado o respeito e afeto.
Por isso, essa questão sobre a lei que proíbe a palmada no caso das crianças, levanta muitos questionamentos sobre o que é mais importante quando se educa. Do que precisa o Outro para ser educado?
Para Freud, psicanalista, o mal da humanidade está na falta de afeto. Sendo assim, que tipo de afeto existe em uma agressão? Como justificar que para que exista a obediência, seja necessário machucar o Outro, esse que pode ser uma criança ou um adolescente, e essa questão se estende a todo tipo de agressão quando esta ocorre sempre que há uma divergência de opiniões, em que o agressor sempre se considera a parte mais forte.
Para Willian e Martha Sears em “Crianças bem resolvidas”, a autoridade tem que ser conquistada, mesmo quando você é um adulto feito e seu filho um recém-nascido de quatro quilos. As crianças não pensam como adultos. Seu método de criação vai ser mais tranqüilo se você aprender a tolerar comportamentos que acompanham a idade e o estágio de uma criança. A criação por apego ensina seus filhos a respeitar você porque você conhece as necessidades deles e os respeita”.
Quando um pai conhece o filho que tem, pois desde que esse é concebido, é visto como um ser que necessita do adulto para crescer e constituir-se como ser humano, ama a sua missão de educador e consegue com que, sentindo-se aceito e amparado essa criança, esteja conectada às regras e obediência baseada no entendimento das questões que são necessárias. No livro “O pequeno príncipe” de Saint-Exupéry, o general coloca o seguinte: “é preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis”.
A razão. Nada mais do que a razão. Uma criança, um ser que precisa ser educado entende o que precisa ser feito se as ordens são claras e objetivas. “Quando você corrige o comportamento errado de seu filho, seu objetivo deve ser faze-lo se dar conta do que faz de errado, e o que deve fazer para retificá-lo. Não o deixe arrasado, faça-o saber que você sabe que ele é capaz de fazer melhor – e, então, ajude-o a não cometer o mesmo erro novamente”, explicam William e Martha Sears.
No caso daquelas palmadinhas na mão quando a criança usou a mesma para pegar ou tocar algo que não deveria, é preciso lembrar que crianças constroem sua aprendizagem de uma forma mais bem estruturada quando experimentam aquilo que precisam e, tocando o objeto que querem conhecer, elas estão assim, descobrindo texturas, formas, enfim, conhecendo o que se quer conhecer. Ora, uma criança está em fase de desenvolvimento e não tem capacidade para distinguir o que deve ou não ser tocado, a não ser que o adulto responsável pela sua educação lhe ensine, mas agredir por experimentar é tirar de um ser, em formação, a vontade de conhecer e explorar coisas novas na vida, pois este temerá sentir sempre a mesma dor; é transmitir-lhe assim, a ideia de que construir a sua vida e existência é algo muito perigoso e pode ser extremamente doloroso;
No livro “Nunca desista dos seus sonhos”, Augusto Cury coloca que “Epicuro acreditava ‘que os grandes navegadores deviam sua reputação aos temporais e às tempestades”. Grandes navegadores, grandes escritores, grandes sonhadores, grandes naquilo que escolherem, enfim, grandes seres humanos que acreditam em suas próprias capacidades e vêem a vida como um lugar acolhedor e possível de ser experimentado.
Dessa forma, quando amamos nossas crianças e transmitimos, à elas, disciplina com amor por desejarmos que sejam adultos muito bem-sucedidos, corajosos, determinados, felizes, capazes de caminhar mesmo que, vivendo a vida com obstáculos, estamos deixando a mais rica herança.
Artigo publicado no Diário de Petrópolis – 24/08/2010.
(Gabriela Pujol Bell Fernandes – educadora).
Bater, agredir, dar palmada ou pancadas, ou seja, nesse caso, qualquer atitude que sirva como pretexto na educação do Outro, seja ele, uma criança, um jovem ou um adulto, é uma atividade que representa nada mais do que a falta de condições do agressor em resolver conflitos ou mesmo se relacionar com aquele para quem deveria ser direcionado o respeito e afeto.
Por isso, essa questão sobre a lei que proíbe a palmada no caso das crianças, levanta muitos questionamentos sobre o que é mais importante quando se educa. Do que precisa o Outro para ser educado?
Para Freud, psicanalista, o mal da humanidade está na falta de afeto. Sendo assim, que tipo de afeto existe em uma agressão? Como justificar que para que exista a obediência, seja necessário machucar o Outro, esse que pode ser uma criança ou um adolescente, e essa questão se estende a todo tipo de agressão quando esta ocorre sempre que há uma divergência de opiniões, em que o agressor sempre se considera a parte mais forte.
Para Willian e Martha Sears em “Crianças bem resolvidas”, a autoridade tem que ser conquistada, mesmo quando você é um adulto feito e seu filho um recém-nascido de quatro quilos. As crianças não pensam como adultos. Seu método de criação vai ser mais tranqüilo se você aprender a tolerar comportamentos que acompanham a idade e o estágio de uma criança. A criação por apego ensina seus filhos a respeitar você porque você conhece as necessidades deles e os respeita”.
Quando um pai conhece o filho que tem, pois desde que esse é concebido, é visto como um ser que necessita do adulto para crescer e constituir-se como ser humano, ama a sua missão de educador e consegue com que, sentindo-se aceito e amparado essa criança, esteja conectada às regras e obediência baseada no entendimento das questões que são necessárias. No livro “O pequeno príncipe” de Saint-Exupéry, o general coloca o seguinte: “é preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis”.
A razão. Nada mais do que a razão. Uma criança, um ser que precisa ser educado entende o que precisa ser feito se as ordens são claras e objetivas. “Quando você corrige o comportamento errado de seu filho, seu objetivo deve ser faze-lo se dar conta do que faz de errado, e o que deve fazer para retificá-lo. Não o deixe arrasado, faça-o saber que você sabe que ele é capaz de fazer melhor – e, então, ajude-o a não cometer o mesmo erro novamente”, explicam William e Martha Sears.
No caso daquelas palmadinhas na mão quando a criança usou a mesma para pegar ou tocar algo que não deveria, é preciso lembrar que crianças constroem sua aprendizagem de uma forma mais bem estruturada quando experimentam aquilo que precisam e, tocando o objeto que querem conhecer, elas estão assim, descobrindo texturas, formas, enfim, conhecendo o que se quer conhecer. Ora, uma criança está em fase de desenvolvimento e não tem capacidade para distinguir o que deve ou não ser tocado, a não ser que o adulto responsável pela sua educação lhe ensine, mas agredir por experimentar é tirar de um ser, em formação, a vontade de conhecer e explorar coisas novas na vida, pois este temerá sentir sempre a mesma dor; é transmitir-lhe assim, a ideia de que construir a sua vida e existência é algo muito perigoso e pode ser extremamente doloroso;
No livro “Nunca desista dos seus sonhos”, Augusto Cury coloca que “Epicuro acreditava ‘que os grandes navegadores deviam sua reputação aos temporais e às tempestades”. Grandes navegadores, grandes escritores, grandes sonhadores, grandes naquilo que escolherem, enfim, grandes seres humanos que acreditam em suas próprias capacidades e vêem a vida como um lugar acolhedor e possível de ser experimentado.
Dessa forma, quando amamos nossas crianças e transmitimos, à elas, disciplina com amor por desejarmos que sejam adultos muito bem-sucedidos, corajosos, determinados, felizes, capazes de caminhar mesmo que, vivendo a vida com obstáculos, estamos deixando a mais rica herança.
Artigo publicado no Diário de Petrópolis – 24/08/2010.
E o comprometimento com a educação...
Agora é oficial. Divulgado o calendário de reposição das aulas perdidas com a greve dos servidores da educação, torna-se mais clara a situação da conseqüência dessa movimentação pela cidadania. E então, surge novamente a questão sobre o que é mais importante no ato de educar. Haverá a reposição, mas esta será mais no papel oficial dos documentos como as pautas de cada turma ou no papel do caderno dos alunos?
A movimentação de greve é um ato social. De acordo com a definição do dicionário Larousse, greve significa “parada coletiva, voluntária ou coletiva, do trabalho ou do estudo, para obter o atendimento de reivindicações”. Fisicamente, toda vez em que um corpo muda a sua posição ocorre um movimento. Sendo assim, para que serviu o movimento de greve?
De um lado, os servidores estavam no direito de parar, mas, e os alunos, tinham o direito de ficar parados? Agora com a reposição aos sábados, os alunos têm o dever de estar na escola, no entanto, sem qualidade do ensino que receberiam nos dias letivos normais de 2ª a 6ª feira, pois é fato que se houver um número pequenos de alunos em sala não há condições de iniciar conteúdo novo.
As escolas, que cumprem o calendário, precisam estar abertas e é preciso que os servidores estejam à disposição dos alunos que quiserem participar desse momento escolar aos sábados e nas duas segundas-feiras que antecedem os feriados em setembro e outubro. Em reportagem à Tribuna de Petrópolis, publicada dia 13 de agosto, Yuri Moura, presidente da União Estadual dos Estudantes, afirmou o seguinte: “sabemos que aulas aos sábados nem sempre dão certo, mas não há outro jeito. A nossa posição era que os estudantes não perdessem o ano letivo. Se foi esta a decisão dos professores e governo, temos agora que apoiar e fazer campanha junto com os alunos para que o calendário seja realmente cumprido”.
Cabe, sim, aos alunos prestar atenção ao cumprimento do calendário, mas pensando em cidadãos que eles são, batalharão, dessa forma, pelo direito de terem aulas, mas será que a comunidade escolar lhes oferece esse espaço para exercerem a cidadania? A educação, numa proposta construtivista, é aquela que fornece ao aluno a participação no que aprende, assim ele constrói o conhecimento. Sendo que, essa construção só é possível se houver espaço. Esse aluno precisa estar conectado ao sistema e à comunidade escolar, numa espécie de troca, pois só assim estará motivado a freqüentar as aulas.
A escola pública não tem capacidade para ter tanto comprometimento com a causa da educação como a escola particular? Ano passado, com a paralisação por causa da gripe suína, houve a reposição aos sábados em escolas particulares que tiveram índice de freqüência beirando os 100%. Já, esse ano, em 14 de agosto, no primeiro sábado de reposição nas escolas públicas, por causa da greve dos servidores, algumas escolas que deveriam estar abertas aos alunos, receberam em seu espaço físico a campanha de vacinação contra Poliomelite. Ou seja, o calendário da vacinação, que é nacional, não foi examinado para que houvesse a construção do calendário de reposição?
Sendo assim, alunos e servidores têm direitos mas também são cidadãos por terem deveres, e infelizmente, nessa situação de greve em Petrópolis perdeu-se a manutenção dessa questão tão nobre chamada Cidadania.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 18/08/2010
Agora é oficial. Divulgado o calendário de reposição das aulas perdidas com a greve dos servidores da educação, torna-se mais clara a situação da conseqüência dessa movimentação pela cidadania. E então, surge novamente a questão sobre o que é mais importante no ato de educar. Haverá a reposição, mas esta será mais no papel oficial dos documentos como as pautas de cada turma ou no papel do caderno dos alunos?
A movimentação de greve é um ato social. De acordo com a definição do dicionário Larousse, greve significa “parada coletiva, voluntária ou coletiva, do trabalho ou do estudo, para obter o atendimento de reivindicações”. Fisicamente, toda vez em que um corpo muda a sua posição ocorre um movimento. Sendo assim, para que serviu o movimento de greve?
De um lado, os servidores estavam no direito de parar, mas, e os alunos, tinham o direito de ficar parados? Agora com a reposição aos sábados, os alunos têm o dever de estar na escola, no entanto, sem qualidade do ensino que receberiam nos dias letivos normais de 2ª a 6ª feira, pois é fato que se houver um número pequenos de alunos em sala não há condições de iniciar conteúdo novo.
As escolas, que cumprem o calendário, precisam estar abertas e é preciso que os servidores estejam à disposição dos alunos que quiserem participar desse momento escolar aos sábados e nas duas segundas-feiras que antecedem os feriados em setembro e outubro. Em reportagem à Tribuna de Petrópolis, publicada dia 13 de agosto, Yuri Moura, presidente da União Estadual dos Estudantes, afirmou o seguinte: “sabemos que aulas aos sábados nem sempre dão certo, mas não há outro jeito. A nossa posição era que os estudantes não perdessem o ano letivo. Se foi esta a decisão dos professores e governo, temos agora que apoiar e fazer campanha junto com os alunos para que o calendário seja realmente cumprido”.
Cabe, sim, aos alunos prestar atenção ao cumprimento do calendário, mas pensando em cidadãos que eles são, batalharão, dessa forma, pelo direito de terem aulas, mas será que a comunidade escolar lhes oferece esse espaço para exercerem a cidadania? A educação, numa proposta construtivista, é aquela que fornece ao aluno a participação no que aprende, assim ele constrói o conhecimento. Sendo que, essa construção só é possível se houver espaço. Esse aluno precisa estar conectado ao sistema e à comunidade escolar, numa espécie de troca, pois só assim estará motivado a freqüentar as aulas.
A escola pública não tem capacidade para ter tanto comprometimento com a causa da educação como a escola particular? Ano passado, com a paralisação por causa da gripe suína, houve a reposição aos sábados em escolas particulares que tiveram índice de freqüência beirando os 100%. Já, esse ano, em 14 de agosto, no primeiro sábado de reposição nas escolas públicas, por causa da greve dos servidores, algumas escolas que deveriam estar abertas aos alunos, receberam em seu espaço físico a campanha de vacinação contra Poliomelite. Ou seja, o calendário da vacinação, que é nacional, não foi examinado para que houvesse a construção do calendário de reposição?
Sendo assim, alunos e servidores têm direitos mas também são cidadãos por terem deveres, e infelizmente, nessa situação de greve em Petrópolis perdeu-se a manutenção dessa questão tão nobre chamada Cidadania.
Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis – 18/08/2010
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